Comunidade Islâmica de Moçambique Distancia-se dos Ataques terroristas em Ancuabe

A Comunidade Islâmica de Moçambique, CIMO, manifesta a sua profunda preocupação face aos recentes ataques corridos na província de cabo Delgado, com destaque para a destruição de infra-estruturas comunitárias e locais de culto na localidade de Meza, distrito de Ancuabe.

A CIMO condena de forma firme e inequívoca todos os actos de violência perpetrados contra populares civis, bem como a destruição de locais religiosos, independentemente da sua filiação confessional.

Expressamos, neste momento, a nossa solidariedade para com a comunidade católica e todas as famílias afectadas por estes acontecimentos, reiterando que nenhuma fé deve ser utilizada como justificação para a violência, o medo ou a divisão entre os moçambicanos.

Fiéis aos princípios do isslam, que promovem a paz, a justiça e a preservação da vida humana rejeitamos qualquer tentativa de instrumentalização da religião para fins da violência ou temor.

Enquanto comunidade de fé, reafirmamos o nosso compromisso com a convivência harmoniosa entre religiões, o respeito pela dignidade humana e a construção de uma sociedade assente na paz e no entendimento mútuo.

A CIMO apela a união de todos os moçambicanos, líderes religiosos e instituições, no sentido de fortalecer a mensagem de tolerância, coesão social e responsabilidade colectiva. Num momento em que o medo procura dividir, importa reafirmar que a fé, em qualquer das suas expressões, deve ser sempre um ponto de encontro e nunca de destruição.

Recorde-se que no passado dia 30 de Abril um grupo de terroristas evadiu e destruiu por completo a Paróquia de São Luís de Monfort e raptou membros da comunidade em Ancuabe, na província de Cabo Delgado. Dados oficiais indicam que pelo menos 300 católicos foram mortos, por decapitação, e mais de 117 unidades da igreja destruídas, desde o início do conflito armado em 2017na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. Os terroristas nos seus ataques exibem símbolos e orações da igreja islâmica, mas a confissão religiosa não assume. Também foram reportados tentativas de ataques no distrito de Montepuez, concretamente nas instalações da Ruby Mining, um complexo mineiro pertencente a figuras históricas do partido Frelimo, incluindo o filho do então Presidente Samora Moises Machel, Samora Júnior e o veterano Raimundo Pachinuapa. A par de Pachinuapa, Filipe Jacinto Nyusi, então Chefe de Estado e Cristóvão Chume, actual Ministro da Defesa são apontados em alguns círculos no país como os maiores detentores de licenças para exploração mineira em Moçambique.

Na alegada tentativa de se instalar em Motepuez, conforme confirmou aos órgãos de comunicação a Administradora do Distrito, Jenuina Magunda, os terroristas raptaram 22 pessoas.

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