O boletim editado pelo pesquisador britânico Joseph Hanlon escreve que a Polícia da República de Moçambique, PRM, já disparou mortalmente contra pelo menos 40 pessoas envolvidas nas manifestações de protesto contra a fraude eleitoral registada na 7 eleição presidencial e legislativa cuja votação teve lugar no passado dia 9 de Outubro findo.
De acordo com o boletim News Reports Moçambique “o partido no poder, Frelimo, venceu todas as eleições multipartidárias em Moçambique desde 1994, mas as eleições nacionais de 9 de Outubro foram flagrantemente fraudulentas. O processo eleitoral deveria ser imparcial, mas a Frelimo controlou-o do princípio ao fim. Mais de 1 milhão de eleitores fantasmas foram registados – mais eleitores do que adultos em idade de votar.” “Os observadores viram um enchimento de urnas totalmente aberto. Os resultados foram alterados para beneficiar a Frelimo.
Mas tal como o nível de fraude foi sem precedentes, a reacção também o foi. Os jovens saíram às ruas, mobilizados nas redes sociais por um carismático jovem candidato presidencial. Durante três semanas, com 40 manifestantes mortos, houve uma greve geral sem precedentes em muitos lugares. As eleições continuam a ser o grito de guerra, mas os jovens também protestam contra a pobreza, a falta de futuro e a maldição dos recursos. O FMI, o Banco Mundial e os doadores apoiam a Frelimo porque esta permitiu que empresas estrangeiras explorassem os recursos, criando poucos empregos e apenas deixando buracos no chão. Alguns líderes da Frelimo tornaram-se oligarcas ricos”.
Joseph Hanlon é jornalista, editor de Moçambique News Reports e Clippings, e pesquisador visitante em Desenvolvimento Internacional na LSE.
Em alguns sectores de opinião o Comandante Geral da Polícia, Bernardino Rafael, é apontado como uma espécie de incendiário e belicista nas suas declarações, sobretudo depois da mais recente aparição em que chamou aos manifestantes de ‘terroristas urbanos’ e ‘manifestações violentas e subversão’. Para alem de aparentemente dar ordens para disparar, Bernardino Rafael é apontado também de bélico na narrativa e que a sua riqueza acumulada alegadamente durante o tempo em chegou a gestação da corporação não lhe permite moralmente estar do lado dos desfavorecidos e pobres.
Na sua última aparição, a associação medica de Moçambique disse que reportou 16 mortes relacionadas com as manifestações de Venâncio Mondlane, enquanto as Nações Unidas falam de 20.





