Há Condições para os Moçambicanos Realizarem Manifestações Pacíficas?

Não há condições objectivas para os moçambicanos realizarem manifestações pacíficas. Esta é, pelo menos, a conclusão que se pode tirar sobre os contornas da violência nas manifestações em curso em Moçambique.

Mesmo com os longos discursos de apelo para manifestações pacíficas, Moçambique, pela segunda semana, vive um espectro de paralisação geral, sobretudo dos seus pilares fundamentais de funcionamento de estado sendo os sectores relevantes da economia mais directamente impactados.

Ontem, segunda-feira, em alguns segmentos atentos, circulou em Maputo a informação de que o actual Chefe de Estado, encontra-se fugitivo ou escondido algures em Maputo depois dos apelos para o revoltado convocados por Venâncio Mondlane. Mas Filipe Nyusi apareceu esta manhã numa cerimónia sobre a construção de uma infra-estrutura portuária no Município de Maputo.

Os jovens entrevistados em Maputo dizem que participam nas manifestações não necessariamente por razões político partidárias, mas ‘endireitar o país’. Outros não escondem a situação da degradação das condições de vida; “não temos nada para comer” – dizem

Parece que os apelos contra a violência nas manifestações de protesto, não encontram razões objectivas de praticabilidade ou ainda assumpção pelas massas sociais. A violência chega ao extremo de populares desarmados confrontarem-se com as forças da Polícia da República de Moçambique, PRM, fortemente armada e não só disparando balas de borracha e balas reais como igualmente transportada também em carros blindados. A ligação Maputo Matola tem sido condicionada e muitas vezes só é possível através da escolta policial. A cidade da Matola é considera o maior parque industrial do país e faz limite com Maputo, a capital.

Duas viaturas incendiadas na cidade de Tete e cinco detidos em Maputo constituem o essencial do rosto mais visível sobre os impactos da paralisação de sete dias decretada pelo candidato presidencial independente nas sétimas eleições gerais e presidenciais em Moçambique.

Venâncio protesta os resultados tornados públicos no dia 24 de Outubro pela Comissão Nacional de Eleições, CNE, que dão vitória ao Candidato Daniel Chapo e o seu partido, a Frelimo, com 70% dos votos e 195 dos 250 deputados do parlamento moçambicano.

Populares.

Desde quinta-feira, 25 de Outubro, o serviço de internet tem estado a sofrer serias restrições com bloqueio impostos pelas três operadoras de telefonia móvel em Moçambique. O governo de forma unilateral decidiu estabelecer restrições no acesso a internet que também viu a sua velocidade reduzida e sem qualidade para aceder as redes sociais a partir do aparelho celular. As plataformas como o facebook e watsup estão com acesso limitado no país. Com estas restrições, o governo acredita que vai conseguir reduzir o nível organizacional das manifestação e controlar a circulação de mensagens violentas e por conseguintes reduzir igualmente os impactos negativos das manifestações convocadas por Venâncio Mondlane em protesto aos resultados eleitorais.

Impossível copiar o conteúdo desta página