Exposição de Quehá e Santos Mabunda inaugura esta quarta-feira, 5 de Junho em Maputo. Amostra intitula-se “Entre vozes e caminhos”, numa tentativa de traçar uma linha que liga os trabalhos dos dois artistas que são uma referência nas artes plásticas contemporâneas.
Juntos, Santos Mabunda e Quehá ligam-nos para o que há de belo na arte: a imaginação e a reflexão em terno das pessoas e do expressar dos seus sentimentos, desejos e anseios, a sua ligação com os espaços e a relação com a natureza.
Nas obras que nos apresentam há uma mistura de técnicas e simbolismos que nos remetem à paixão que os artistas têm pelo processo de criação, na sua abordagem à vida, num estágio em que há uma transfiguração do belo e dos seus significados.
Não podia haver um encontro mais rico em representações como destes dois artistas que constroem as suas obras como uma crónica sobre os seres, seus dilemas, complexidades e encantamentos. Dois artistas que vão para além do mero cumprimento do dever criativo: o de deitar sobre a tela a técnica do saber construir obre a mestria dada pelos anos de aperfeiçoamento.
Santos Mabunda, nascido a 1982, com o papel, a caneta, o lápis e às vezes o pincel, vai talhando com detalhes milimétricos, corpos, rostos, objectos, deixando a sua alma nesse percurso da mão. Esse trabalho é carregado de significado, desde o pessoal e o colectivo, remetendo-nos para a coreografia e o bailado. Ainda com as assemblagens dá-nos a sensação de multiplicação, a vida se repetisse nesse encontros e sobreposições. Esta mostra dos seus mais recentes trabalhos, é como se viesse dar-nos todas as certezas sobre a afirmação de um artista completo, que no caminho que escolheu, que exige a aptidão de génios e a paciência de um monge, só há um destino: a consagração.
João Paulo Quehá, de 49 anos de idade, segue pelo caminho da leveza da cor, como se procurasse deixar que os seres e os objectos tomem protagonismo, através do seu discurso e sentimentos. A preocupação de Quehá está em mostrar as pessoas e o seu subconsciente, seus desejos e o que paira a sua volta. Seguindo uma linhagem carregada dos elementos da natureza, para além do espaço habitacional, os animais e a sua relação com a vida das pessoas. É dessa leveza que nos referimos e que nos atrai para outros mundos que exigem de nós a total disponibilidade para enxergar a intenção e não a cor, nem os objectos. Um artista com espírito libertino, vocacionado a encontrar formas para as mais inusitadas e subjectivas sensações da alma, numa sociedade que se reinventa todos os dias, mas sem se ultrapassar os problemas.





