O Centro de Integridade Pública, reporta que os números elevados do recenseamento eleitoral terminado fim-de-semana sugerem que 230.000 eleitores fantasmas registaram-se e estão a “dormir na praia”.
De acordo com o boletim eleitoral do CIP, os números totais do recenseamento eleitoral confirmam os relatórios sobre o registo de eleitores fantasmas em Gaza e a supressão do recenseamento na Beira. A nível nacional, nos municípios, 91% dos adultos em idade de votar registaram-se. Em Gaza, a percentagem foi de 129%, a mais elevada do país, o que significa que Gaza conseguiu registar mais 53.000 adultos, em idade de votar, do que o Instituto Nacional de Estatística afirma existir.
Trata-se de “eleitores fantasmas” – pessoas que não podem existir. Em 38 municípios, mais de metade, foram recenseados 229 671 eleitores fantasmas. Bilene, em Gaza, registou 153% – talvez 3000 “fantasmas” a viver na praia. E as praias atraem de facto – Vilankulo, em Inhambane, encontrou 11.000 “fantasmas” e Maganja da Costa, na Zambézia, encontrou 8.000. Mas na Beira a repressão dos eleitores da oposição funcionou e apenas 81% recensearam-se, uma das taxas mais baixas do país.
Em Nampula, o distrito de Malema recenseou o dobro dos adultos em idade de votar, encontrando 16.000 eleitores “fantasmas”. Malema tem actualmente uma assembleia municipal sem partido maioritário – 8 da Frelimo, 8 da Renamo e 1 do MDM. Malema tem um presidente da Renamo que ganhou por apenas 521 votos em 1998, pelo que estes eleitores “fantasmas” podem fazer pender a balança para a Frelimo. Em Gurué, na Zambézia, a Frelimo tem uma maioria de apenas um assento, pelo que 20.000 eleitores fantasmas poderiam ajudar a manter a Frelimo no poder. Em alguns locais, os números invulgares têm explicações. Cabo Delgado tem muitas pessoas deslocadas e os números do recenseamento foram elevados, especialmente em Ibo (194%), Pemba (113%) e Mueda (152%). Não contamos estes como eleitores “fantasmas”. Em contraste, Niassa tem o recenseamento mais baixo, com apenas 66%. Algumas capitais de província registaram baixos níveis de recenseamento: Lichinga, a mais baixa do país, com 52%, e Tete e Nampula, ambas com 69%.
Há também algumas sugestões de que um número significativo de pessoas que vivem fora de um município decidiram recensear-se ilegalmente para votar dentro dele. Por exemplo, o distrito de Xai-Xai registou 97% dos seus adultos em idade de votar, mas a cidade de Xai-Xai registou 137%, mais 24.000 eleitores. Estes provavelmente tenham vindo de fora do município.





