Em Moçambique quase 40% das crianças que vivem com HIV não recebem o tratamento

Estima-se que Moçambique esteja em forte declínio no número de mortes relacionadas com a SIDA e no número de novas infecções por HIV a cada ano, disse o embaixador dos Estados Unidas da América em Moçambique, Dennis W. Hearne.

Falando na quarta-feira durante as celebrações do dia internacional da luta contra sida, Hearne explicou que embora mais de um em cada 10 adultos e mais de 130.000 crianças vivam actualmente com o HIV em Moçambique, a maioria deles está em tratamento e vive uma vida plena e saudável. Estamos, sem dúvida, na direcção certa.

Dados do embaixador indicam que Moçambique está na vanguarda da oferta de novos e melhores serviços de prevenção e tratamento do HIV a todos os moçambicanos em todas as províncias e, actualmente os indivíduos HIV negativos com alto risco de infecção agora podem ter acesso a medicamentos para prevenir a infecção pelo HIV para além de que os homens com mais de 15 anos podem procurar serviços de circuncisão masculina médica voluntária que reduzem drasticamente a probabilidade de contrair o HIV ao longo da vida.

Por outro lado, explica o diplomata americano, em Moçambique, os serviços de teste de HIV expandiram-se por todo o país e o auto teste de HIV está a tornar-se mais disponível. E, por último, a distribuição comunitária de medicamentos para o tratamento do HIV e a dispensa de medicamentos por vários meses tornaram muito mais conveniente permanecer no tratamento do HIV.

“Este ano, investimos mais de $ 400 milhões de dólares para apoiar a resposta nacional ao HIV. Também alavancamos esses investimentos para apoiar a resposta da COVID-19 desde o início da pandemia, desde o fortalecimento dos sistemas de informação e gestão da cadeia de suprimentos até a melhoria do atendimento ao paciente e administração de vacinas. Os nossos recursos financeiros e técnicos permitiram a entrega de kits de teste da COVID-19, equipamentos de protecção individual, reagentes de laboratório e outros produtos essenciais. E, claro, temos orgulho de ser o principal doador bilateral de vacinas, tendo doado quase 1,5 milhão de vacinas de dose única da Johnson & Johnson através das instalações da COVAX, com milhões mais a caminho”.

Outros dados dos americanos sobre a situação do sida em Moçambique referem que actualmente, mais de 1,6 milhões de moçambicanos receberem medicação anti-retroviral e todos os que testam positivo podem iniciar imediatamente o tratamento. No entanto, quase 40% das crianças que vivem com HIV não estão a receber o tratamento. E mais de 13 por cento das mães seropositivas transmitem a doença durante o parto.

Sobre o impacto social do HIV em órfãos e crianças vulneráveis as estimativas indicam que mais da metade dos 14 milhões de crianças de Moçambique necessitam de alguma forma de apoio social. As necessidades variam desde cuidados médicos a educação e apoio económico familiar. Só este ano, o Governo dos Estados Unidos está a apoiar serviços sociais para quase 375.000 crianças que ficaram órfãs devido ao HIV e SIDA, com foco especial no apoio às crianças que vivem com HIV.

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