Um em cada 10 adolescentes sofreu de depressão ou ansiedade devido aos efeitos sociais e económicos decorrentes da COVID-19, com destaque para o encerramento das escolas. Esta é uma das conclusões do estudo sobre “Encerramento das Escolas devido à COVID-19 e Saúde Mental de Adolescentes”, realizados nos distritos de Muecate e Nacarôa, na Província de Nampula, apresentado quinta-feira, dia 24 na cidade de Maputo.
O estudo foi realizado pelo Instituto Internacional de Pesquisas sobre Políticas Alimentares (IFPRI), como parte da avaliação do projecto “Juntos Educando as Crianças”, implementado pela World Vision-Moçambique (WV-Moç) naqueles distritos. O projecto tem em vista a melhoria da qualidade do ensino.
A pesquisa foi conduzida em 160 escolas dos distritos de Muecate e Nacarôa, e 15 escolas do distrito de Murrupula, na província de Nampula, tendo envolvido mais de 1300 adolescentes e 350 educadores. Diante deste cenário, o estudo aponta que um terço dos alunos, cujo nível de depressão e ansiedade é alto, precisa de algum apoio nesta fase da pandemia. Estes resultados foram alcançados a partir de dois indicadores, nomeadamente, o Índice de Bem-Estar da Organização Mundial da Saúde e o Índice de Ansiedade Generalizada.
O estudo refere que, com o fecho das escolas, por conta das restrições impostas no contexto da pandemia, os alunos (em particular as raparigas) estiveram mais vulneráveis a situações tais como uniões prematuras, gravidezes precoces, trabalho infantil e violência física ou sexual. Estes cenários, segundo a mesma pesquisa, podem ter concorrido para que três em cada 10 adolescentes tivessem passado por situações de baixo bem-estar.
Desde Março de 2020, escolas de todo o mundo experimentaram períodos longos de encerramento e funcionamento irregular devido à eclosão da pandemia da COVID-19. Os agregados familiares em países em desenvolvimento também vivenciaram choques associados a rupturas nas fontes de rendimento e de sobrevivência, reduzindo, assim, os seus níveis de segurança alimentar. A título de exemplo, 38 porcento dos professores sofreu com a situação da COVID-19.
A pesquisa chama a atenção para a aposta em iniciativas de ensino e aprendizagem remota, como estratégia para mitigar os efeitos negativos sobre a saúde mental dos alunos em situações de interrupção das aulas presenciais. Juntos Educando as Crianças, que se encontra na terceira fase, é um projecto de alimentação escolar que beneficia a cerca de 80 mil alunos em 160 escolas dos distritos de Muecate e Nacarôa, sendo financiado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos USDA.





