O Comandante da Força da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ), o Brigadeiro-General Sérgio Estrela, diz que nos últimos cinco meses a província de Cabo Delgado tem estado a regista o recrudescimento dos ataques terroristas com uma média de 25 ataques mensais, agravados pelas dificuldades de resposta apresentadas pelas forças governamentais.
Sérgio Estrela, que falava semana passada, dia 29 de Outubro, numa palestra organizada pelo Centro de Análise Estratégica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CAE/CPLP), em Maputo revelou que nos últimos cinco meses foram registados 154 ataques em 15 distritos de Cabo Delgado incluindo a tendência crescente da onda de raptos seguidos de exigências de resgate. A palestra da CAE/CPL, reuniu representantes das instituições de defesa e segurança, diplomatas, adidos militares, académicos e membros da sociedade civil.
Subordinada ao tema “Reforçar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique para uma segurança sustentável”, a intervenção do Brigadeiro-General Sérgio Estrela centrou-se na evolução da situação de segurança no norte do país, com destaque para a dispersão geográfica dos ataques, a mobilidade dos grupos insurgentes e a adaptação das suas tácticas. O Comandante da Força da Missão salientou a importância de compreender estas dinâmicas para identificar soluções que contribuam para a paz e a estabilidade em Moçambique, numa altura em que entidades não governamentais dizem que nos últimos dias, 21 pessoas terão sido decapitadas, 4 das quais no distrito de Mueda, (machambas de Mpeme) e 17 em Muidumbe, nas machambas de Saba-Saba.
Durante a apresentação orientada pelo Brigadeiro Sérgio Estrela, foram igualmente partilhados dados relativos à actividade insurgente nos cinco meses anteriores, período em que foram registados 154 ataques. Embora a violência se mantenha concentrada sobretudo na província de Cabo Delgado, foram também identificadas incursões para sul e oeste de Moçambique, dizem os europeus.
Os dados apresentados europeia apontam para ocorrências de ataques em 16 distritos, dos quais 15 em Cabo Delgado e um em Niassa, abrangendo 120 localidades. Segundo ainda a mesma apresentação, esta dispersão geográfica evidencia os desafios colocados pela mobilidade dos grupos armados e pela realização de ataques em diferentes pontos do território, dificultando a resposta das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
O Brigadeiro-General Sérgio Estrela abordou ainda a ocorrência de raptos seguidos de exigências de resgate, salientando a importância de acompanhar a evolução das tácticas insurgentes para compreender os desafios no terreno e apoiar a definição de respostas adequadas.
A parceria entre a União Europeia e Moçambique tem contribuído para o reforço das capacidades das FADM. Neste contexto, a EUMAM MOZ apoia o desenvolvimento da sua autonomia e capacidade operacional, contribuindo para uma resposta mais eficaz aos desafios de segurança nacionais e regionais e para os esforços de Moçambique em prol da paz. Desde 2021 que uma missão da União Europeia está em Moçambique para ajudar o país na resposta ao terrorismo no norte, mas a situação em Cabo Delgado tende a degradar, em parte, devido a praticas europeias alegadamente ineficazes aplicadas no terreno.





