Muçulmanas Negoceiam o Uso do Lenço que Cobre a Cara nas Fotografias dos Documentos Oficiais Como o BI

Liderado por Nadyma Atumane, o gabinete Feminino do Conselho Islâmico de Moçambique (CISLAMO), reuniu em audiência, esta terça-feira, 27 de Outubro, em Maputo, com a Presidente da Assembleia da República de Moçambique, Margarida Talapa. O encontro serviu essencialmente para as muçulmanas apresentar as suas preocupações à chamada casa do povo com destaque para matérias relativas a inclusão, cidadania e liberdade religiosa em Moçambique.

A comunidade islâmica pretende a oficialização do uso de HIJAB (o lenço muçulmano que cobre a cara) em documento oficiais de identificação, como, entre outros, o BI e o passaporte.

As muçulmanas consideram que a questão sobre o uso do polémico lenço vai além da aparência ou da tradição cultural na medida em que é considerado parte essencial da identidade religiosa, da modéstia e da consciência espiritual de muitas mulheres muçulmanas, razão pela qual a exigência de removê-lo para efeitos de fotografia oficial é vista como uma limitação prática ao exercício da fé.

O CISLAMO argumenta ainda que a Constituição da República de Moçambique, no seu artigo 54, consagra a liberdade de consciência, de religião e de culto, estabelece que nenhum cidadão deve ser discriminado, prejudicado ou privado de direitos por causa da sua fé ou prática religiosa. Além disso, sustentam as muçulmanas, o Estado moçambicano reconhece a liberdade religiosa como um direito fundamental e protege o pluralismo de crenças no espaço público por isso seria paradoxal não aparecer com o HIJAB nos documentos oficiais, por quanto expõe as partes sagradas às pessoas indevidas visto que esses documentos tratam em espaços abertos.

O encontro desta nesta terça-feira, 27 de Outubro, entre as partes permitiu a apresentação das preocupações das mulheres muçulmanas no âmbito do processo de auscultação pública sobre a Proposta de Lei de Liberdade Religiosa e de Culto.

Alguns sectores da opinião reagem com algum cepticismo a esta pretensão da comunidade muçulmana, não apenas por questões de identidade (já que o lenço esconde a cara), mas também devido a questões ligadas a segurança porquanto os terroristas que atacam Moçambique nas suas incursões usam HIJAB para escamotear a sua identidade.

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