O Governador do Banco de Moçambique, BM, Felisberto Dinis Navalha, abriu, esta quarta-feira, 28 de Outubro, em Tete, o seu primeiro Conselho Consultivo em frente do Banco.
Falando na sessão inaugural, Felisberto Navalha referiu-se ao desempenho macroeconómico do País, destacado que o crescimento da economia nacional se mantém num ritmo moderado, no entanto, ainda insuficiente para propiciar uma melhoria das condições de vida da população.
De acordo com Navalha, depois da contracção de 0,2 por cento registada em 2025, a economia moçambicana cresceu em apenas 1,7 por cento no segundo trimestre de 2026, situando-se aquém do potencial e dos objectivos de combate à pobreza no País.
O novo Governador do BM explicou que esta recuperação ocorreu num ambiente externo adverso, marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e pelo consequente aumento dos preços internacionais de combustíveis, dos alimentos, dos transportes e da logística, com reflexos sobre o desempenho da actividade económica e a inflação doméstica.
“Perante este cenário, temos pautado por uma postura de política monetária prudente. Em Março, interrompemos o ciclo de redução da taxa de juro de política monetária e mantivemos a taxa MIMO em 9,25 por cento. Em Maio, esta medida foi complementada com o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias sobre os depósitos em moeda nacional de 29,0 para 39,0 por cento, com o objectivo de conter o excesso de liquidez no sistema bancário e minimizar as pressões sobre os preços domésticos”.
Felisberto Dinis Navalha esclareceu que após a aceleração da inflação anual de 4,41 por cento, em Abril, para 7,51 por cento, em Junho, reflectindo o ajustamento dos preços dos combustíveis líquidos, observou-se um abrandamento para 6,31 por cento, em Setembro e, ainda assim, a condução da política monetária continua a enfrentar desafios significativos.
Aumento da dívida pública
No seu discurso de abertura o Governador do Banco de Moçambique falou também do contínuo aumento da dívida pública e da tendência da acumulação de atrasados pelo Estado que contribuem para uma maior rigidez das taxas de juro no mercado e para a concentração da liquidez bancária nos instrumentos do mercado monetário interbancário, limitando a expansão do crédito à economia.
“Foi neste contexto, que até Setembro de 2026, o financiamento bancário à economia cresceu em apenas 0,5 por cento, face ao mesmo período do ano passado. Adicionalmente, o sistema financeiro manteve-se sólido e resiliente. Em Setembro, o rácio de solvabilidade do sector bancário situou-se em 29,0 por cento e o de liquidez em 55,5 por cento, ambos acima dos mínimos regulamentares, enquanto o crédito malparado permaneceu em torno de 7,0 por cento” explicou Navalha.
Segundo disse o governador, no mercado cambial, tem estado a se registar um volume elevado de compras e vendas de divisas, associados aos projectos de gás natural e indústria extractiva, num contexto de estabilidade cambial.
De acordo com o Banco Central, até Setembro de 2026, as compras de divisas pelos bancos comerciais atingiram USD 6,50 mil milhões, um aumento de USD 859 milhões face ao período homólogo de 2025, enquanto as vendas aos clientes alcançaram USD 6,41 mil milhões, representando mais USD 718 milhões. Ao mesmo tempo, têm sido reportadas dificuldades no acesso a divisas, o que evidencia fragilidades no funcionamento do mercado e na distribuição da liquidez disponível no sistema.
Para fazer face a estes desafios, estamos a implementar reformas destinadas a melhorar o funcionamento dos mercados e criar melhores condições para que o nosso sistema financeiro responda às necessidades do País.
Visando canalizar a liquidez prevalecente no sistema bancário para o sector privado, sem comprometer a solidez do sistema financeiro e a estabilidade macroeconómica, o BM diz que alterou o regime de reservas obrigatórias, com o objectivo de impulsionar o crédito bancário à economia para projectos que contribuam para a substituição de importações e diversificação das exportações. O novo regime, com efeitos a partir de hoje, dia 28 de Outubro, terá a duração de 18 meses. Neste período, os bancos comerciais poderão beneficiar de deduções nas reservas.
Não obstante, garante Navalha, o País mantém um nível razoavelmente confortável de reservas internacionais, equivalente a cerca de cinco meses de importações de bens e serviços excluindo os grandes projectos.
O regime especial de reservas obrigatórias constitui um incentivo para os bancos financiarem a produção nacional, pois, para os montantes de financiamento destinados aos investimentos, os bancos poderão deduzir 110 por cento do valor das reservas obrigatórias e 100 por cento quando for para meios circulantes, frisou o Governador Navalha acrescentando que para garantir a efectividade desta medida, foi definido um mínimo de novas operações de crédito que devem ser concedidas por cada banco, a cada seis meses, bem como, o montante global mínimo a ser desembolsado no âmbito desta medida.
Primeiro Conselho Consultivo presidido por Felisberto Navalha enquanto Governador do Banco de Moçambique
“Este encontro reveste-se, para mim, de um significado particular, por ser o primeiro Conselho Consultivo que tenho a honra de presidir enquanto Governador do Banco de Moçambique. Assumo esta missão tendo como pressuposto a preservação da memória institucional e do trabalho colectivo realizado ao longo das últimas cinco décadas” destacou o novo Governador.
Navalha considera que é com particular satisfação que o BM realiza este Conselho Consultivo em Tete, tendo em conta que a província é conhecida como a terra dos seis C’s: Carvão, Capenta, Chicoa, Cabrito, Cahora Bassa e Calor, referências que traduzem a riqueza natural, económica, cultural e histórica desta região.
Para Navalha estas potencialidades dão especial significado à realização deste Conselho Consultivo nesta cidade de Tete. Nos primeiros dois dias, a reunião irá se concentrar em matérias de cariz interno, para avaliarmos o desempenho institucional e identificarmos áreas que podem ser melhoradas, de modo a manter o Banco como uma instituição de referência a nível regional e internacional.
O terceiro e último dia serão dedicados à sessão pública, subordinada ao tema “Desafios e Oportunidades do Aproveitamento do Potencial Energético de Tete para a Segurança Energética de Moçambique”.





