Arsénia Massingue Diz que “A Paz Não se Deve Resumir ao Calar das Armas”

Num discurso marcante que ecoou no Domingo, dia 4 de Outubro, Dia da Paz e Reconciliação Nacional, a Secretária de Estado na Província de Inhambane, Arsénia Felicidade Félix Massingue, lançou um desafio urgente à nação: a paz em Moçambique não pode ser apenas a ausência de guerra, mas sim a força motriz para a conquista da independência económica.

Falando por ocasião da celebração do 34° aniversário de assinatura do Acordo Geral de Paz, realizada na cidade de Inhambane, a governante alertou: “A paz não deve se resumir ao calar das armas”, salientando que o verdadeiro significado da reconciliação exige o suor e o empenho de cada cidadão, onde quer que esteja, na construção do desenvolvimento sócio-económico do país.

“Esta efeméride assinala-se, este ano, sob o lema: “A Religião como Promotora de Paz e Segurança”, uma mensagem de profundo significado para o nosso país e, em particular, para a província de Inhambane, onde as comunidades religiosas desempenham um papel relevante na educação moral, na formação do carácter, na assistência social e na promoção de valores que fortalecem a convivência entre os cidadãos”, disse a governante.

Arsénia Massingue realça que a paz permitiu Moçambique avançar na reconstrução das infra estruturas, na expansão da rede escolar e sanitária, na abertura de novas oportunidades económicas e na criação de condições para que os cidadãos pudessem exercer os seus direitos e participar activamente na vida nacional.

A dirigente sublinha que a paz permitiu, igualmente, a construção e o aprofundamento de instituições democráticas, a introdução do multipartidarismo e o fortalecimento do Estado de Direito Democrático, criando condições para uma participação mais ampla dos cidadãos nos processos políticos, económicos e sociais.

A Secretária de Estado na Província de Inhambane aponta que, na província de Inhambane, os efeitos da paz são igualmente visíveis no quotidiano das comunidades. “A possibilidade de circular entre distritos, desenvolver actividades comerciais, cultivar a terra, frequentar a escola, procurar assistência médica e realizar os nossos encontros familiares e religiosos constitui uma expressão concreta do valor da paz”.

“É por isso que devemos compreender que a paz não é apenas um conceito político ou uma conquista histórica. A paz é um bem precioso, mas não é um bem que se conserva por si só. Precisa de ser alimentada pelo diálogo, protegida pela justiça, fortalecida pela solidariedade e transmitida de geração em geração através da educação, do exemplo e da convivência pacífica”.

Arsénia Massingue entende que a diversidade religiosa não deve constituir motivo de divisão, mas uma oportunidade para aprendermos a respeitar o outro, a valorizar aquilo que nos une e a reconhecer que a dignidade humana está acima de qualquer diferença.

Acrescentou ainda que a verdadeira expressão da fé não reside apenas nas palavras que “pronunciamos nos nossos locais de culto, mas também na capacidade de estender a mão a quem precisa, de perdoar a quem nos ofende, de evitar a injustiça e de contribuir para que ninguém se sinta abandonado ou excluído da sociedade”.

Massingue salienta que a paz e a estabilidade não se resumem à ausência de confrontações ou ao silêncio das armas. “A verdadeira paz constrói-se diariamente, através da justiça social, do respeito pelos direitos humanos, da igualdade de oportunidades, da solidariedade e da capacidade de resolvermos pacificamente os nossos conflitos”.

Por isso, aconselha aos moçambicanos para que continuem a combater os comportamentos que ameaçam a harmonia social, nomeadamente a violência doméstica, o abuso de menores, as uniões prematuras, a discriminação, a exclusão social, o consumo abusivo de álcool e drogas, o extremismo violento e o discurso de ódio.

“Neste combate, a colaboração entre o Governo, as instituições de justiça, os órgãos de defesa e segurança, as autoridades comunitárias, as escolas e as confissões religiosas é indispensável”, referiu.

Por isso, em nome do Governo da Província de Inhambane, Massingue expressou o apreço pelo papel que as confissões religiosas desempenham na promoção da paz, da reconciliação, da solidariedade e do desenvolvimento humano, e exortou a prosseguirem com a nobre missão, reforçando a educação para a paz, o diálogo inter-religioso e a colaboração com as instituições públicas na prevenção e resolução pacífica dos conflitos.

“Queremos que Inhambane continue a ser uma província onde as famílias vivam em segurança, onde as comunidades religiosas cooperem entre si, onde os cidadãos resolvam as suas diferenças através do diálogo e onde cada pessoa encontre condições para participar no desenvolvimento da sua comunidade”, disse  a Secretária de Estado.

Neste contexto, aproveitou a ocasião para saudar o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo pela iniciativa de promover o diálogo nacional inclusivo, reconhecendo a importância de envolver os diferentes segmentos da sociedade na procura de soluções para os desafios do País.

“Expressamos a nossa esperança de que este processo continue a contribuir para o fortalecimento da confiança entre os cidadãos e as instituições, para a consolidação da democracia e para a construção de um ambiente de paz, estabilidade e desenvolvimento”.

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