O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, discutiu este domingo, 20 de Setembro, no Rio de Janeiro, com responsáveis do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) e da Shell Brasil, oportunidades de investimento no sector energético moçambicano, partilha de experiência na exploração de petróleo e gás, capacitação de quadros e desenvolvimento de competências técnicas, com vista ao aprofundamento da cooperação entre Moçambique e o Brasil. Os encontros, realizados em momentos separados, decorreram à margem da participação do Chefe do Estado no Fórum Petróleo e Gás 2026 (ROG.e), onde será o principal orador. Na ocasião, o Presidente do Conselho de Administração do IBP, Roberto Ardenghy, e o Presidente da Shell Brasil, João dos Santos Rosa, abordaram perspectivas de colaboração com Moçambique. Segundo o Presidente do ROG.e, Nelson Narciso Filho, as conversações com o Presidente da República incidiram sobre as oportunidades que a experiência brasileira na indústria petrolífera pode proporcionar a Moçambique, particularmente no desenvolvimento do sector e na capacitação de pessoas. “Nós conversámos sobre desenvolvimento, sobre capacitação de pessoas, sobre onde o Brasil pode de alguma forma colaborar com todo esse processo”, afirmou, descrevendo o encontro como uma conversa “muito aberta, com todo o pessoal da área de petróleo de Moçambique”. Narciso Filho considerou que a cooperação entre os dois países pode assentar na partilha de conhecimentos e experiências acumuladas pelo Brasil, tendo em conta os desafios e as oportunidades da indústria moçambicana. “Nós vemos uma oportunidade ímpar para os dois países, de trabalharem juntos, de desenvolverem juntos”, afirmou, sublinhando que a relação deve proporcionar benefícios recíprocos: “Não é o Brasil dando e Moçambique recebendo, é o Brasil dando, Moçambique dando, é o Brasil recebendo e Moçambique recebendo”. O Presidente do ROG.e apontou as reservas de gás natural e a localização geográfica de Moçambique como factores que podem favorecer o seu posicionamento no mercado energético internacional. Referiu igualmente a experiência brasileira na conjugação da exploração de hidrocarbonetos com o desenvolvimento de fontes renováveis, defendendo uma abordagem de evolução energética que considere diferentes fontes de energia e a participação das pessoas.
Por seu turno, João dos Santos Rosa afirmou que a audiência com o Chefe do Estado permitiu abordar o desenvolvimento da indústria energética moçambicana, as perspectivas de colaboração futura e o papel do país no panorama internacional. “Falámos de potenciais oportunidades futuras, mas, principalmente, agradecer a sua presença e a sua comitiva hoje aqui no Brasil”, declarou. O Presidente da Shell Brasil destacou que a colaboração com Moçambique abrange estudos energéticos, partilha de boas práticas e experiências de outros mercados, bem como o desenvolvimento de competências técnicas. “E, portanto, foi nesse âmbito que discutimos também uma futura colaboração e a continuação de uma relação que tem sido muito boa entre a nossa empresa e o Governo de Moçambique”, afirmou. Abordou ainda a evolução do quadro legal e as condições para a identificação de oportunidades de investimento, tendo em vista benefícios para as partes envolvidas. João dos Santos Rosa considerou que Moçambique reúne condições para desenvolver a sua indústria energética e atrair investimento internacional, referindo as reservas de gás, os projectos em curso e a ligação aos mercados mundiais. Os encontros decorreram no contexto da ROG.e, evento organizado pelo IBP que, segundo Nelson, deverá reunir cerca de 80 mil participantes e apresentar aproximadamente mil trabalhos técnicos, abrangendo matérias como tecnologia, inteligência artificial, diversidade, igualdade e desenvolvimento de competências. (GI)





