FMI Conclui Missão Sem Consensos Sobre Um Novo Programa de Crédito Para Moçambique

O Ministério das Finanças anunciou que a delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) que desde o passado dia 9 de Setembro corrente trabalha em Maputo, concluiu, esta sexta-feira, 18 de Setembro de 2026, a sua missão de trabalho de dez dias a Moçambique, durante a qual avaliou a situação económica do país e iniciou discussões para um potencial Programa de Facilidade de Crédito.

As discussões abrangeram a sustentabilidade fiscal e da dívida pública, política monetária, mercado cambial e reformas estruturais. O governo garante que durante o trabalho realizado, o FMI registou sinais positivos de recuperação da economia nacional e estabeleceu bases para um possível acordo ao nível do corpo técnico, que poderá ser apreciado pelo Conselho Executivo do FMI, seguindo-se uma eventual missão em Novembro para encerrar as discussões.

Durante as discussões com aquela instituição financeira internacional, o Governo de Moçambique diz que reafirmou o seu compromisso com as reformas necessárias para fortalecer a estabilidade macroeconómica e promover o crescimento inclusivo.

Nesta sua estadia em Moçambique, a equipa reuniu-se, para além do Governo, com a Comissão de Plano e Orçamento e representantes de várias instituições, para avaliar a situação económica do país e iniciar as discussões para um potencial programa de facilidade de crédito.

As discussões abordaram temas centrais em diferentes áreas, como desempenho do sector real, sustentabilidade fiscal e da dívida pública, política monetária, mercado cambial, reformas estruturais, entre outros.

Em representação do Governo, a Ministra das Finanças, Carla Loveira, expressou satisfação pelos trabalhos realizados durante os 10 dias de trabalho intenso, que representam a etapa crucial no processo de negociação de um potencial programa de crédito para Moçambique. “Esperamos que o alinhamento das perspectivas macro fiscais de curto e médio prazo entre a equipa técnica e o FMI continue nos próximos dias, e aguardamos um feedback positivo aquando da submissão do relatório ao Conselho Executivo do FMI”, afirmou Carla Loveira.

O Governo espera que esta missão tenha estabelecido as bases iniciais e que abra um caminho para um possível Staff Level Agreement, um feedback positivo pelo Conselho Executivo do FMI e uma possível missão para discutir as condicionalidades, indicadores e metas do programa em Novembro de 2026.

Entretanto, os dados mais recentes do Ministério das Finanças indicam que o Produto Interno Bruto moçambicano cresceu 1,7% no segundo trimestre de 2026 e 0,9% em média no primeiro semestre, em termos homólogos, o que constitui uma inversão das contracções observadas em 2025, mas ainda insuficiente para uma recuperação robusta.

Segundo os mesmos dados, a previsão actual para 2026 é de 0,6%, abaixo dos 2,8% inicialmente inscritos no PESOE, o que recomenda prudência e exige converter a retoma em investimento, emprego e rendimento. Contudo, há oportunidades no turismo, na energia e nos serviços, mas persistem dificuldades de acesso a insumos e divisas, custos logísticos e fraca procura industrial.

De acordo com o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026 (PESOE 2026), prevê-se que o País arrecade cerca de 76,8 milhões de dólares provenientes da produção de Gás Natural Liquefeito, dos quais aproximadamente 30,7 milhões de dólares deverão ser canalizados para o Fundo Soberano, reforçando progressivamente a sua capitalização e capacidade de geração de poupança pública de longo prazo.

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