Reagindo aos incidentes do último fim-de-semana em Quelimane, Venâncio Mondlane acusou a Polícia da República de Moçambique (PRM), ao nível da Zambézia, de faltar com a verdade, ao afirmar que os ataques policiais contra populares no dia 15 de Agosto em Quelimane, iniciaram quando um membro do partido Anamola partira o vidro de uma viatura das autoridades durante a festa central de celebração do primeiro ano da criação do seu partido.
Falando em directo nas redes sociais, o político exigiu que a PRM apresente provas que sustentem a acusação e exige esclarecimentos sobre os elementos que levaram a polícia a responsabilizar o membro do Anamola de vandalizar a viatura policial. “Onde estão as provas?” questionou Mondlane na sua live.
O Presidente do Partido Anamola minimizou os argumentos da PRM que os classificou de “uma das maiores mentiras descaradas”, e acrescentou que a PRM inventou argumentos para sustentar uma grosseira ilegalidade e ataques ao estado de direito democrático.
No dia 12 de Agosto de 2026, lembre-se, uma delegação do partido Anamola foi recebida no Comando da PRM na Zambézia, numa reuniu que traçou as directrizes sobre os procedimentos a serem observados na marcha. A polícia disse que na reunião foi colocada a possibilidade de proibição da marcha caso a situação da ordem e segurança assim o exigisse, sobretudo tendo em conta a forte presença popular nas ruas do município, devido ao carnaval que decorre em Quelimane de 14 a 23 de Agosto corrente.
A porta-voz da PRM em Quelimane, Belarmina Henriques, disse aos órgãos de informação que a polícia, no momento exacto do arranque do cortejo da marcha detectou que não haviam condições de segurança para o movimento prosseguir e informou aos organizadores sobre o facto, mas os líderes do Anamola não acataram o aviso.
“A afirmação da polícia de que houve um acordo com os representantes do Anamola para parar com a marcha é falsa. Onde está esse acordo? porque todo o resto está escrito. Os avisos prévios que enviámos à Polícia, ao Conselho Municipal, à Direcção de Saúde… essas comunicações estão registados por escrito; comprovadas” insistiu Venâncio Mondlane
O presidente do partido acrescentou que “saímos da Sagrada Família e estávamos a posicionar-nos para iniciar a marcha; nem sequer deixaram a marcha acontecer. Logo, nunca houve aquele momento em que, se houvesse alguma perturbação ou desordem, a polícia pudesse interromper a marcha” explicou.
Refira-se que no seu posicionamento, a PRM disse que os participantes da festa do Anamola responderam aos apelos da polícia com insultos, e que um indivíduo da equipa de Venâncio atirou uma pedra que atingiu e partiu o pára-brisas de uma viatura policial, o que obrigou os agentes da corporação destacados no terreno a usar o gás lacrimogéneo para conter os ânimos dos populares. Mas outras fontes dizem que na ocasião a PRM usou balas reais.
Por outro lado, e na sua comunicação aos médias, a PRM garante que os agentes destacados para garantir a segurança da marcha recorreram ao uso de arma de fogo para dispersar a multidão que seguia Venâncio, para além de que a operação durou não mais do que cinco minutos.
“Onde está o vidro que foi partido? Onde está a pedra que foi atirada? E mais importante, onde está a pessoa que atirou a pedra?” retorquiu o político, que considera que a PRM agiu a mando do partido Frelimo, que tem a corporação estadual como um instrumento para seviciar, humilhar e intimidar o povo moçambicano que, através das suas contribuições, paga os seus salários.
Várias entidades nacionais e internacionais já condenaram o uso desproporcional da força pela PRM na festa do primeiro ano do Anamola em Quelimane, mas o partido Frelimo, nos seus diversos órgãos político-partidários, ainda não se pronunciou sobre os confrontos que resultaram no ferimento de civis incluindo três jornalistas que cobria o evento. Na circunstancia o presidente do Anamola foi dado como desaparecido, mas apareceu horas depois no hotel onde se hospedara em Quelimane.





