Uma pessoa morreu e outras dezenas contraíram ferimentos entre ligeiros e graves durante a revolta popular dos últimos três dias na região de Xinavane, distrito da Manhiça, norte da capital Maputo. Os populares chegaram a tomar o controlo do posto policial da pacata vila, o que acelerou a demissão imediata de três quadros seniores da polícia na província de Maputo.
Durante os três dias, os manifestantes expulsaram o chefe do posto administrativo local, depois de incendiar a sua residência e cinco viaturas ligeiras, algumas das quais pertencentes a entidades do governo da vila. Não se sabe do paradeiro do chefe do posto apesar de o Comandante geral da Polícia, Bernardino Rafael ter anunciado a sua demissão por alegada incompetência.
Durante os tumultos, a polícia confirmou ter detido 27 pessoas entre operários da açucareira e membros da comunidade acusadas de promover a agitação.
Os manifestantes também incendiaram nove edifícios maioritariamente albergando serviços do estado. A vida na vila, debaixo de forte presença policial, tende timidamente a voltar a normalidade.
Esta sexta-feira, durante a primeira sessão anual do Comité Consultivo do Trabalho, realizada em Maputo, o controverso presidente do CTA, Agostinho Vuma, disse que lamentava as perdas resultantes da greve dos trabalhadores da açucareira e que apesar de ser um direito constitucionalmente consagrado o exercício da greve deve respeitar os ditames da lei, porquanto em Xinavane transcendeu os limites consubstanciando em actos de vandalismo causando perdas irressarcíeis como a vida humana.
“Para nós esta notícia da greve causa espanto, considerando que no ano passado, o sector da agricultura foi um dos sectores com a maior taxa de reajuste salarial (10%), a maior taxa de reajuste salarial assistida neste sector desde o ano de 2016” disse Agostinho Vuma, presidente do CTA, nos últimos dias envolvido em acusações de roubo e venda de viaturas de luxo da vizinha África do Sul.





