Maputo Volta a Acolher a Peça Teatral “Prima Facie”

O auditório Vinícius de Moraes, no Instituto Guimarães Rosa (IGR-Maputo), acolheu, nos dias 24, 25 e 26 de Abril, uma nova temporada do aclamado monólogo Prima Facie, da dramaturga australiana Suzie Miller, no âmbito das celebrações do Mês da Mulher Moçambicana.

Após o sucesso das temporadas anteriores, com lotações esgotadas em Dezembro de 2025 e Março de 2026, o regresso da peça voltou a afirmar a pertinência do debate sobre a perspectiva de género no sistema judicial.

A realização desta temporada contou com o patrocínio do BCI, no quadro das celebrações dos seus 30 anos, tendo o Banco promovido duas sessões exclusivas, nos dias 24 e 25 de Abril, especialmente dedicadas a convidados institucionais, clientes e parceiros. Estas sessões reforçam o compromisso do BCI em proporcionar experiências culturais diferenciadoras e em aproximar a arte de públicos estratégicos.

A encenação, assinada pelo experiente Expedito Araújo, actor, encenador, gestor e pedagogo teatral brasileiro que celebra 30 anos de carreira, apresenta uma abordagem inédita no mundo. Ao invés de uma única intérprete, a versão moçambicana reúne um elenco de onze actrizes de quatro nacionalidades, Moçambique, Portugal, Itália e Espanha, para dar vida à personagem central Tessa. Em cena, alternaram-se Ana Fernandes, Carmen Alcobio, Catarina Caetano, Celma Costa, Gina Montserrat, Giselda de Castro, Inês Santos, Mar Correia, Neira Gafur, Tânia Nobre e Tina Lorizzo, num exercício teatral que amplifica as múltiplas camadas da protagonista.

“Prima Facie” centra-se na história de Tessa, uma advogada de defesa especializada em casos de violência sexual, cuja visão sobre o sistema judiciário é abalada ao tornar-se vítima das mesmas estruturas que outrora dominava. O monólogo, uma reflexão intensa sobre justiça, direitos das mulheres e relações de poder, foi originalmente concebido por Suzie Miller, ex-advogada que transformou as suas vivências e a sua perspectiva feminista num texto que se tornou fenómeno global.

Traduzida para mais de 30 idiomas, a peça tem percorrido os palcos do mundo com enorme sucesso. Após longas temporadas de destaque na Broadway e no West End, a peça continua actualmente em cartaz na Austrália, no Brasil e em diversos outros países. A versão estrelada por Jodie Comer, com direcção de Justin Martin, conquistou múltiplos prémios de relevo, incluindo o Tony Award de Melhor Actriz e os Olivier Awards de Melhor Peça Nova e Melhor Actriz.

Em Moçambique, a produção, com tradução de Ana Mesquita, estreou-se em Dezembro de 2025 com casa cheia, repetindo o feito nas sessões de Março deste ano, acumulando mais de mil espectadores ao longo de nove dias de exibição.

O regresso em Abril reforça o enquadramento no

Mês da Mulher Moçambicana, sublinhando a universalidade da violência de género e as fragilidades dos sistemas de justiça, temas de particular pertinência no contexto nacional. Ao apoiar esta iniciativa, o BCI reforça o seu compromisso contínuo com a promoção da cultura e com a valorização da mulher, com especial enfoque na expressão artística no feminino.

O Banco tem privilegiado o incentivo a iniciativas culturais de reconhecida relevância e impacto que, para além de enriquecerem o panorama artístico nacional, promovem a reflexão sobre temas estruturantes da sociedade, consolidando o seu papel como agente activo no desenvolvimento social e cultural do País. Ao mesmo tempo, esta acção contribui para o aprofundamento do debate em torno da igualdade de oportunidades, da inclusão e da sustentabilidade.

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