No âmbito do festival de dança Kinani, o Museu das Pescas em Maputo, foi palco, no passado dia 23 de Novembro, de uma sessão da coreografia denominada OTEMPODIZ. Trata-se de uma coreografia dirigida por Asier Zabaleta e com a participação dos bailarinos moçambicanos Fenias Nhumaio e Deissane Machava.
A iniciativa é liderada pela Embaixada da Espanha em Maputo que considera esta uma viagem pela dança desde as ruas da cidade de Maputo, até ao País Basco, na Espanha.
“OTEMPODIZ é um projecto de criação de dois países, Espanha e Moçambique, que mistura linguagens de dança da rua, break-dance, danças tradicionais africanas, dança contemporânea, uma ideia do que nós os três somos”, explicou Asier Zabaleta, mentor e director da coreografia. “Na peça falamos das diferentes percepções do tempo, em distintas geografias do mundo: África e Ocidente”.
De acordo com Zabaleta, se no Ocidente o tempo é contado, medido, comprado, vendido, planificado, organizado, se é um bem objectivo que quase sempre falta, em África, o tempo é vivido, feito, é um bem subjectivo e inerente do ser humano e que quase nunca falta.
Asier Zabaleta conheceu os dois bailarinos num workshop em Maputo em 2019 e propôs que se juntassem para criar uma peça original que fundisse as duas identidades. Para ele, aquela era uma boa oportunidade para não desperdiçar várias horas que os jovens investiram para ter o nível que têm, porque são autodidactas.
“OTEMPODIZ nasce de um momento em que vi pessoas que têm muito talento, mas não têm muitas oportunidades. Não eram bailarinos profissionais, mas fazem trabalhos esporádicos e têm que fazer muitos outros trabalhos para sobreviver, além da dança”, explicou.
A concretização do projecto demorou devido a pandemia da Covid-19.
Os ensaios iniciaram em Agosto de 2021, com uma duração de três semanas na associação cultural WUCHENE, em Maputo, e continuaram na Espanha por mais duas semanas.
Durante o processo de produção, o grupo realizou uma residência artística e estreou a coreografia na Espanha, apresentando-a em três ocasiões: Festival Atlantikaldia em Errenteria, Festival DantzaHirian em Hondarribia (ambos em San Bernardino) e Eibar em Madrid.
“Para mim foi uma experiência muito boa, porque investi muito do meu coração. As três apresentações estiveram bem, fomos bem recebidos e foi um sucesso”, comentou Zabaleta.
Zabaleta, director da Companhia Ertza, disse que, geralmente, quando se trabalha com estrangeiros, há uma ideia de que se deve escolher bailarinos locais com mais experiência. Estes jovens com essa dança trazem “algo fresco, importante, e sua forma de trabalho, que é a partilha e generosidade, tem muito valor”, classificou, Zabaleta, especialista em dança contemporânea.
Refira-se que a coreografia foi possível, graças ao apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), da Embaixada da Espanha em Moçambique, da residência artística SORTUTAKOAK (Gipuzkoako Dantzagunea) e do Festival ATLANTIKALDIA em Errenteria, ambos na Espanha.





