O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reafirmou esta sexta-feira, 27 de Maio em Malabo (Guiné Equatorial), o compromisso inabalável do seu Governo com a protecção dos moçambicanos no estrangeiro e a consolidação da paz e unidade nacional. Durante um encontro emotivo com a comunidade residente na Guiné Equatorial, o Chefe do Estado destacou a criação inédita da Secretaria de Estado das Comunidades para responder às necessidades da diáspora e assegurou que a abertura de uma representação diplomática no país está sob análise prioritária. O governante aproveitou a ocasião para apelar à preservação dos valores de reconciliação, distanciando a identidade moçambicana de discursos de ódio ou actos de violência.
A visita do estadista moçambicano a Malabo ocorre no âmbito da sua participação na 11ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados da África, Caraíbas e Pacífico (OEACP). Logo à chegada, priorizou o contacto directo com os compatriotas, sublinhando que não poderia passar pela capital equato-guineense sem saudar os “filhos da nossa pátria amada”. O Presidente Chapo expressou gratidão pela recepção fraterna, afirmando ser um motivo de orgulho ver que, mesmo longe, os cidadãos mantêm “viva a chama da moçambicanidade”. No diálogo com a comunidade, o governante abordou com transparência a vulnerabilidade climática que Moçambique enfrenta, explicando detalhadamente os impactos das cheias e ciclones. Por conseguinte, recordou que o país é atravessado por nove bacias hidrográficas, o que o coloca entre os dez mais afectados no mundo. “Mesmo que não esteja a chover em Moçambique, basta estar a chover na África do Sul, no Zimbabwe ou noutros países do interior toda a água tende a correr para o mar, e passa pelos nossos rios, transborda e provoca cheias e inundações”, elucidou o governante.
Sobre a segurança nacional, o Chefe do Estado partilhou a indignação face ao terrorismo em Cabo Delgado, mas garantiu que o combate permanece firme. Segundo disse, o Executivo está focado em restaurar a estabilidade para garantir o desenvolvimento inclusivo. “Queremos assegurar-vos que o nosso Governo continua firme e empenhado no combate ao terrorismo, em restaurar a paz, garantir a segurança das populações e criar melhores condições de vida”, declarou, agradecendo a solidariedade interna e internacional recebida desde o início do conflito. O Presidente da República destacou ainda que a sua gestão está focada na diplomacia económica para atrair investimentos e dinamizar a economia nacional. Respondendo ao incentivo dos moçambicanos na diáspora, sublinhou que a determinação do Governo visa melhorar a vida do povo “dentro e fora do país”. O estadista apontou o Diálogo Nacional Inclusivo, que conta com a participação de partidos parlamentares e extraparlamentares, como um pilar essencial para a estabilidade política e social. Um dos pontos altos da intervenção foi o anúncio de medidas institucionais para apoiar os cidadãos no exterior. O Chefe do Estado lembrou que, pela primeira vez na história do país, foi criada a figura da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Moçambicanas no Exterior para cuidar especificamente destes interesses. “Ela tem a missão de colaborar convosco diante das vossas preocupações legítimas, desafios e iniciativas, sempre na busca de soluções eficazes”, explicou, reforçando que a diáspora é parte integrante e essencial da nação. Respondendo directamente a uma das principais reivindicações da comunidade em Guiné Equatorial, o Presidente Chapo prometeu analisar a instalação de uma representação consular em território equato-guineense. Reconheceu que esta é uma “aspiração justa” face à crescente presença de moçambicanos no país. “Queremos assegurar-vos que esta questão será analisada com responsabilidade e sentido de prioridade de Estado”, afirmou, garantindo que o objectivo é aproximar os serviços do Estado aos cidadãos que vivem além-fronteiras. Apelando à coesão social, o Estadista exortou os presentes a continuarem a agir como embaixadores dos valores tradicionais do país, baseados na humildade e no trabalho. Ademais, foi incisivo ao separar a identidade nacional de comportamentos de instabilidade, afirmando que o povo moçambicano não se define pelo conflito. “Moçambicano não é um povo de ódio, moçambicano não é um povo de violência, moçambicano não é um povo de guerra, moçambicano não é um povo de manifestações violentas, ilegais e criminosas”, vincou. Por fim, o Presidente Daniel Chapo reiterou a necessidade de combater discursos divisionistas para proteger a soberania e a integridade territorial. Para si, o futuro de Moçambique depende da promoção de mensagens de amor e unidade nacional em detrimento da destruição. “A guerra destrói, a paz constrói, o ódio destrói, o amor constrói, a violência destrói, a reconciliação constrói”, concluiu, despedindo-se com a garantia de que a comunidade pode contar com o apoio contínuo da sua governação. (GI)





