ACC: o encerramento (des) necessário de um centro cultural?

Publicamente não há referências sobre a situação do futuro dos trabalhadores do centro nem se, especificamente, o encerramento do centro está ligado ou não a transferência da embaixada para a nova sede na marginal em Maputo.

A 24 de Novembro de 2021 corrente, a Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique anunciou que o Centro Cultural Americano em Maputo “encerrou oficialmente, após cerca de 28 anos de significativo alcance enraizado nos valores multiculturais E.U.A./ Moçambique”.

Os americanos em Maputo dizem que o Centro, frequentemente referido como o ACC, foi para muitos moçambicanos a sua primeira oportunidade de aprender sobre a história e cultura dos E.U.A., preparar-se para estudar nos Estados Unidos, e interagir com americanos. No entanto, e embora muitos vencedores dos concursos promovidos durante a vida do centro eram apresentados publicamente, algumas fontes dizem que não há dados reais de transparência sobre os procedimentos das equipas de júri sobretudo evidências relativos a procedimentos iniciais e de finalização nos processos de selecção e apuramento de candidatos que concorriam e ganhavam.

“O ACC foi um pilar das nossas iniciativas de diplomacia pública e fomentou os laços interpessoais que são fundamentais para a fundação da nossa relação bilateral”, disse o mais recente Embaixador dos E.U.A. em Moçambique, Dennis W. Hearne, citado no comunicado sobre o encerramento do centro. “Espaços Americanos como o ACC permitem-nos estabelecer ligações com as pessoas e são importantes espaços de encontro que promovem a aprendizagem e a compreensão mútua” idem.

Localizado nas esquinas de Mao Tsé Tung e Kim Il Sung, oficialmente, o extinto centro cultural abriu em 1984 como um local virado essencialmente para partilhar informações sobre os Estados Unidos. Em Janeiro de 1993, o seu Centro de Recursos de Informação, a Biblioteca Martin Luther King Jr., abriu, oferecendo aos visitantes acesso a mais de 4.000 livros em Inglês e Português, além de revistas, periódicos, jornais e filmes dos E.U.A. O ACC também forneceu acesso gratuito à Internet e a programas informáticos, muitas vezes o único local onde os moçambicanos podiam utilizar tais serviços sem qualquer custo.

Na hora do fecho, o governo dos EUA diz que o centro foi um espaço de convocação que acolheu uma grande variedade de audiências, desde funcionários do governo moçambicano a membros da sociedade civil moçambicana; artistas e músicos a jovens interessados em aprender Inglês ou em participar num programa de intercâmbio do governo dos E.U.A..

No entanto, para muitos críticos e académicos moçambicanos o ACC foi também um centro burocratizado da cultura e ciência que, não obstante apresentar-se rico em diversos materiais da filosofia do saber e da vida, esteve quase alguns longos anos letárgico e tendencialmente distante devido a questões relativas ao sector de segurança, sobretudo depois dos ataques do 11 de Setembro de 2011.

Porém, no comunicado do seu encerramento, os americanos lembram que o centro celebrou a democracia através de eventos como o de contagem decrescente da Noite de Eleições dos E.U.A., destacando igualmente importantes contribuições dos afro-americanos durante o Mês de História Negra, e também serviu como um centro que maximizou as oportunidades para moçambicanos e americanos se reunirem, partilharem ideias, e conhecerem verdadeiramente uns aos outros.
Oficialmente, antes da pandemia da COVID-19, o ACC recebia cerca de 250 visitantes por semana.

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