População Lincha até à Morte Comandante da Força Local do Distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado, pelo Alegado Envolvimento na Morte de Mototaxistas
Três jovens taxistas que haviam desaparecido há cerca de um mês em Metoro, distrito de Ancuabe, foram presumivelmente assassinados por elementos da força local, segundo fontes comunitárias que falavam na tarde desta quarta-feira, 26 de Novembro de 2025. O principal suspeito, identificado como comandante distrital da força local, foi capturado pela população e linchado até à morte após confessar o crime.
“Isso aconteceu em Metoro. Desapareceram três jovens taxistas há um mês atrás e, depois daí, não soubemos o paradeiro deles”, contou um morador de Metoro.
Segundo outro residente, o ponto de viragem ocorreu “no dia de hoje, quando viram a mota de um dos jovens desaparecidos. A família daquele jovem viu que aquela mota era nossa, e de certeza que tinha que sair uma equipa para seguir aquele jovem taxista”.
A perseguição levou até ao distrito de Chiúre. “Ao regresso, as populações comunicaram-se e fecharam a estrada. Mandaram parar, ele parou e perguntaram-lhe. O jovem não foi longe e disse que ‘eu só fui dado esta mota para fazer’. A população perguntou quem era o dono, e este jovem disse que é força local, que vive em Mbonja, aqui na vila-sede de Ancuabe”, relatou outra testemunha.
A mesma fonte acrescenta que “a população pediu o número deste homem da força local, e aquele entregou. A população ligou para ele e disse: ‘Conhece o fulano?’, a referir-se ao taxista, e na verdade o homem da força local disse: ‘Conheço, eu que dei a motorizada para fazer táxi’. Então a população inventou uma história, a dizer que ele fez um acidente e que queriam levá-lo para Pemba, e ficaram a aguardar a chegada dele”.
Segundo uma outra testemunha, “o homem da força local foi a correr, sem saber que lá era outra situação. Até levava a família do rapaz taxista. Chegando lá, viu-o algemado. Então ficou espantado e, quando perguntou o que houve, a população também perguntou: ‘Esta mota é de quem?’ Ele deu uma explicação que ninguém entendeu. Com insistência, com aquela agitação toda, porque estavam lá as três famílias dos jovens desaparecidos, disseram-lhe que iam chamar a polícia”.
A mesma fonte contou que “com a fúria da família disseram: ‘Nos entreguem, nós também queremos questionar’. Então questionaram e eles confessaram que, na verdade, os três estão sem vida, mataram eles. Quando lhe perguntaram o motivo, não deu nenhuma justificação”.
Outro morador revelou que “o comandante da força local assumiu que matou os três jovens taxistas e declarou que não estava sozinho. Estavam lá outros dois chefes. Incluindo ele, eram três. E outras duas motorizadas estão nas mãos dos outros dois chefes”.
Uma testemunha no local confirmou: “Isso aconteceu às 10 horas de hoje. Lhe amarraram, lhe queimaram. Aconteceu. É uma coisa real”.
As autoridades ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o incidente.
A força local em Moçambique é composta por civis treinados para apoiar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) na resposta ao terrorismo, sobretudo em Cabo Delgado. Criada como uma solução rápida para conter a insurgência, esta força actua sobretudo a nível comunitário, conhecendo bem o terreno e as dinâmicas locais.
Embora seja vista por alguns como útil no combate ao extremismo, há denúncias de abusos de poder, má conduta e violações dos direitos humanos, principalmente por falta de supervisão adequada, disciplina e formação formal. Muitos membros são ex-combatentes, jovens voluntários ou recrutados locais, com treino básico em segurança, o que levanta preocupações sobre sua actuação em situações delicadas.
Em alguns distritos como Ancuabe, a força local tem ganhado poder informal, o que pode gerar tensões com as comunidades, especialmente quando há suspeitas de envolvimento em crimes, como no caso dos mototaxistas.





