Homem Torturado por População e Força Local Acusado de Criar Falso Alerta Sobre Ataques Terroristas em Palma

Dois dias após um ataque terrorista no bairro Inculararino, no distrito de Palma, que resultou na morte de um civil e no sequestro de várias raparigas, a vila voltou a mergulhar no caos. Desta vez, não pela acção directa dos insurgentes, mas por uma onda de acções de desinformação aparentemente deliberada por parte de um cidadão já a contas com as autoridades locais.

Relatos recolhidos no terreno pela nossa reportagem esta segunda-feira, dia 13 de Outubro, indicam que ontem, domingo, 12 de Outubro, o indivíduo no centro das acusações percorreu diversos bairros, incluindo Quelimane, Inculararino, Barabahane e a zona baixa da vila, gritando que “os terroristas estão a entrar”. A propagação da falsa informação gerou pânico em massa, levando famílias inteiras a fugirem às pressas, abandonando residências e bens.

“A vila entrou em movimento desordenado. As pessoas corriam de um lado para o outro, sem saber exactamente do quê”, descreveu um morador interpelado pelo nosso repórter.

No desenrolar dos acontecimentos as autoridades terão concluído tratar-se de acto de desinformação aparentemente encomendado por alguns motoristas de má fé, com o objectivo de provocar agitação popular, e forçar o abandono da vila e facilitar a angariação de passageiros na sua actividade de transporte. “Ele disse que recebeu essa missão de motoristas para ajudar a espalhar o medo e garantir clientela”, revelou uma fonte.

As autoridades policiais locais dizem que mais de dez viaturas ficaram retidas incluindo um machimbombo do Município de Mocímboa da Praia. Algumas encontram-se sob custódia da PRM destacada em Palma, enquanto as operações de transporte foram suspensas por completo. “Hoje, nenhuma viatura saiu da vila”, confirmou um residente.

A crise de desinformação também teve impacto directo no sector comercial. Alguns lojistas foram apanhados de surpresa e não conseguiram fechar os estabelecimentos a tempo, resultando em assaltos e perdas significativas.

O autor da desinformação foi localizado no bairro Barabahane e acabou por ser agredido pela Força Local e por populares revoltados. “Foi responsabilizado no local pela Força Local e a população que estava frustrada. Neste momento, não sabemos se está em vida ou não”, afirmou uma fonte próxima ao caso.

Até ao fecho desta edição, as autoridades ainda não emitiram um pronunciamento oficial, mas cresce a pressão popular por uma resposta firme contra agentes da desinformação, sobretudo num contexto de fragilidade social e insegurança permanente na província, principalmente em Palma.

Recorde-se que os dois ataques mais recentes, registados em Setembro do ano em curso em Mocímboa da Praia, distrito vizinho de Palma, resultaram em deslocamentos em massa, e chegou o momento em que vários transportadores de semi-colectivos de passageiros começaram a especular os preços. Entidades internacionais do sector dos refugiados reportam mais de 40 mil deslocados só nos último 45 dias em Cabo Delgado.

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