A organização da sociedade civil Observatório do Meio Rural, OMR, acusa o Cinema Scala de inviabilizar a realização de uma sessão de exibição do documentário “Não é nosso país este aqui?”, uma curta-metragem inspirada nas violentas manifestações pós eleitorais de 2024 inicialmente marcada para terça-feira, 20 de Outubro alegando intervenção de ordens superiores da sala.
O pesquisador João Feijó disse a RTP que a administração do cinema Scala, depois de concordar em acolher a sessão, na véspera solicitou, como condição para liberar o espaço, o depósito legal e a licença de projecção da obra, enquanto o OMR aguarda um parecer jurídico sobre o caso.
Num comunicado, divulgado também na página do facebook de Venâncio Mondlane, o OMR anunciou o adiamento da sessão para uma nova data, ainda por indicar, justificando que o documentário pretende promover um debate informado e construtivo sobre a realidade moçambicana, no âmbito do diálogo nacional inclusivo. A organização não detalhou, na nota pública, as razões do adiamento.
João Feijó, investigador do OMR, explicou que a decisão sobre a recusa do Cinema Scala surgiu depois de membros da organização se deslocarem ao Cinema para testar o som e colocar cartazes de divulgação quando um dos gestores da sala, depois de assistir o vídeo, manifestou preocupação pelo seu teor tendo posteriormente, informado a uma colaboradora do OMR de que tinha recebido instruções superiores para impedir a exibição, por considerar o conteúdo sensível e potencialmente comprometedor e problemático para o estabelecimento.
Os produtores e promotores da iniciativa dizem que o filme tem uma finalidade educativa e promoção de debate.
A Administração do Cinema Scala ainda não se pronunciou sobre as alegações do Observatório. O Instituto Nacional de Cinema igualmente mantém-se no silêncio.





