Cientista Moçambicana Lourena Arone Maxwell Ganha Prémio Mundial de Alimentação 2026

A jovem cientista moçambicana Lourena Arone Maxwell, foi confirmada, esta terça-feira, 20 de Outubro, vencedora do Prémio Mundial de Alimentação edição 2026

O reconhecimento é da Fundação Prémio Mundial da Alimentação e celebra o percurso e contributo profissionais da cientista Moçambicana no quadro dos esforços globais para a transformação de sistemas alimentares. Nascida em Maputo e formada na Universidade Eduardo Mondlane, a Fitopatologista Lourena Arone Maxwell é galardoada em Iowa, nos Estados Unidos da América com o prémio Pioneira Agri-Alimentar (Top Agri Food Pioneers) deste ano.

Ao longo da sua carreira iniciada há cerca de 15 anos, Lourena Arone Maxwell de 37 anos, dedicou o seu saber à protecção sustentável de culturas agrícolas, segurança alimentar e a melhoria das condições de vida dos agricultores. Ela afirma que “Ao longo da minha carreira, tenho procurado desenvolver e promover soluções que ajudem os agricultores a reduzir as perdas causadas por pragas e doenças, diminuindo ao mesmo tempo a dependência de pesticidas químicos e protegendo a saúde humana e o ambiente”. Um dos exemplos do seu trabalho é o realizado na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, onde fez a sua pós-graduação. Graças à sua investigação foi possível identificar uma solução de controlo biológico adaptada às condições locais, baseada em microrganismos nativos, para reduzir a contaminação de alimentos por aflatoxinas, substâncias tóxicas produzidas por certos fungos que representam um risco para a saúde humana e animal. “Foi um passo importante para Moçambique, ao demonstrar que podemos utilizar a própria biodiversidade local para desenvolver soluções agrícolas mais seguras e sustentáveis, em vez de depender exclusivamente de produtos químicos”, afirma.

Outro marco foi o estabelecimento e apoio às clínicas de plantas em Moçambique. Este é um conceito que oferece aos agricultores um meio para receberem aconselhamento sobre a identificação e gestão de pragas e doenças, ajudando-os a tomar decisões mais informadas, reduzir as perdas nas suas culturas e melhorar a produtividade. Lourena Arone Maxwell explicar que “Actualmente, continuo este trabalho como cientista em Fitopatologia no World Vegetable Center, em Taiwan, onde lidero investigações sobre métodos sustentáveis de protecção de culturas, incluindo o desenvolvimento de agentes de controlo biológico e tecnologias inovadoras para a gestão de doenças”.

Para a cientista moçambicana, receber o galardão Top Agri Food Pioneer 2026 “representa mais do que uma conquista individual. É também uma oportunidade para dar visibilidade ao contributo de cientistas africanos, especialmente mulheres, para a inovação agrícola e a segurança alimentar global”. E não tem dúvidas. “Acredito que a verdadeira inovação acontece quando conseguimos ligar a ciência às necessidades reais das comunidades, criando soluções que protegem não apenas as plantas, mas também as pessoas e o nosso planeta”.

A Fundação Prémio Mundial da Alimentação foi criada por Norman Borlaug, Nóbel da Paz em 1970, que ficaria conhecido como ‘o pai da revolução verde’ pelo facto da sua pesquisa inovadora ter salvado milhões de vidas. (x)

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