Mais Sete Detenções na Quebra do Regime Nyusi e Ascensão de Chapo ao Poder em Moçambique

Notícia da última hora indica a detenção na tarde desta quinta-feira 16 de Abril, de sete funcionários públicos afectos a sede do Ministério das Finanças em Maputo.

Ainda não foram reveladas as identidades dos funcionários detidos, mas as autoridades confirmaram que a detenção foi ordenada no âmbito de um trabalho conjunto de investigação em curso envolvendo o Gabinete Central de Combate a Corrupção, o Serviço Nacional de Investigação Criminal e a Policia da República de Moçambique.

Os escassos dados ainda disponíveis para o público indicam tratar-se de sete quadros de escalões seniores das Finanças em Maputo, com fortes indícios sobre o seu envolvimento em actos de corrupção e saque ao tesouro público e nhongas nas contratações de empreitadas do estado. Até ao meio da tarde os sete continuam em sessões de interrogatório processual no interior das instalações do Gabinete Central de Combate a Corrupção. A defesa dos arguidos ainda não se dirigiu aos medias, o que se espera venha acontecer logo a seguir ao termino da sessão sobre o interrogatório.

O mês passado e igualmente por ordens do Gabinete Central de Combate a Corrupção e do Serviço Nacional de Investigação Criminal, foi detida quase a totalidade de uma equipa de gestão das Linhas Aéreas de Moçambique, LAM, liderada pelo antigo Director-geral, João Carlos Pó, acusados também de esquemas de corrupção que terão sido alargados para subfacturações em processo de compra de aeronaves. Aparentemente no interrogatório Pó terá feito referência ao nome de Armando Guebuza, então Chefe de Estado e também de Mateus Magala, antigo Ministro dos Transportes e Comunicações, actual assessor do Presidente da República, Daniel Chapo. Magala tem estado a desmentir e diz que o que fez foi tudo legal.

Na semana passada, além do director-geral do Instituto Nacional de Segurança Social, Joaquim Siuta, foram detidos nas mesmas circunstancias o director da Administração e Finanças, Jaime Nhavene, o chefe da Unidade Gestora Executora das Aquisições (UGEA), José Francisco Chidengo, e o empresário Aboobacar Sumaila, proprietário da RAM TV.

Alguns analistas consideram esta onda de detenções como estando por detrás da chamada ‘caça ás bruxas’, na sequencia dos desmembramentos naturais dos regimes designadamente do Presidente Filipe Nyusi que cessa e Daniel Chapo que assume o poder desde 2025 em Moçambique. Para alem das detenções, Chapo não esconde o desligamento de alguns projectos de governação e afastar-se de algumas bases nyusistas. Chapo solicitou o agendamento, com carácter de urgência, das propostas de Leis de Revisão da Lei n.º 4/2019, de 31 de Maio, que estabelece os princípios, as normas de organização, as competências e o funcionamento dos órgãos executivos de governação descentralizada provincial, e n.º 7/2019, de 31 de Maio, que estabelece o quadro legal sobre a organização e o funcionamento dos órgãos de Representação do Estado na província. A decisão está a gerar uma onde de descontentamento por parte do Nyusismo, que se viu na posição de ‘encostado’ aquando da sua aparição na ultima reunião referente a V sessão do comité central de 9 a 11 de Abril, em que o guebusismo aparentemente ressurgiu depois de ensombrado pela condenação e prisão do filho do Presidente Armando Emílio Guebuza durante a vigência do regime nyusi. Na mesma reunião, Chapo insistiu também publicamente com a decisão de romper com a presença ruandesa no teatro operacional norte, descrito como um negócio do antigo regime, agora baseado em Cabo Delgado, (para gerir de perto o negócio?) desde a sua cessação em 2025.

 

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