A fronteira de Ressano Garcia, na província de Maputo, está a viver nos últimos dias uma situação de guerra entre as autoridades governamentais locais e a população. Para além do bloqueio do trânsito entre Moçambique e a África do Sul, os tumultos evoluíram com incêndios a camiões na via pública e a destruição total das instalações onde funcionam as alfândegas incluindo a destruição das moradias dos funcionários alfandegários e da Autoridade Tributária.
O acesso por estrada está interrompido e neste momento decorrem conversações interinstitucionais com vista ao restabelecimento da normalidade em Ressano. Relatos de populares apresentados pela imprensa indicam que a cólera popular exacerbou quando agentes da polícia dispararam mortalmente contra um manifestante, e nos tumultos que se seguiram outras duas pessoas terão morrido, incluindo um agente da autoridade governamental entre dezenas de feridos.
As instituições do estado representativas foram obrigada a ceder a fúria popular, que teve o seu epicentro na noite da última terça-feira, 5 de Novembro, quando populares enfurecidos por alegada má actuação da polícia, decidiram invadir violentamente as instalações onde funciona o posto de controlo fronteiriço e atearam fogo depois de dominar a segurança policial instalada no local.
Ainda não há dados sobre um levantamento dos danos e impactos da destruição na fronteira com a África do Sul, mas algumas entidades entendidas na matéria dizem que a calma se manter os trabalhos sobre a reposição da via podem demorar até 3 dias.
As manifestações em Ressano Garcia estão relacionadas com a exigência popular sobre a justiça eleitoral, depois dos apelos de Venâncio Mondlane, candidato declarado segundo mais votado na 7ª eleição presidencial em Moçambique, cuja votação teve lugar no passado dia 9 de Outubro.
A fronteira de Ressano é o principal acesso terrestre no contexto das transacções comerciais entre Moçambique e a África do Sul. Os principais mercados de produtos alimentares da primeira necessidade em Moçambique dependem essencialmente do mercado sul-africano, cuja circulação de mercadorias está interrompida devida a fúria de populares, que exigem alegadas justiça eleitoral.





