Relatório do Governo Refere que o Terrorismo Aumentou Quarenta Vezes de 2013 a 2023

Moçambique é um dos países da região indicado como tendo registado uma evolução drástica de actividade terrorista, tendo aumentado em quarenta vezes de 2013 a 2023. A região norte de Moçambique, mais concretamente a Província de Cabo Delgado e, esporadicamente, alguns distritos das províncias vizinhas, têm sofrido ataques terroristas desde 2017.

De acordo com o Índice Global de Terrorismo 2023, Moçambique ocupa o 12.º lugar a nível mundial na ocorrência nacional de ataques terroristas, pelo que é considerado um país com terrorismo de “alto impacto”.

O Instituto para a Economia e Paz diz ainda que, apesar de Moçambique ter registado a maior queda no número de mortes num único ano, em 2021, e, por isso, ter melhorado a pontuação em 2022, os ataques e as mortes aumentaram em 50 por cento e 66 por cento, respectivamente, continuando a tendência de aumento da actividade terrorista estabelecida antes de 2021.

Ainda assim, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU, 2023) indica que as operações antiterroristas em Moçambique têm limitado significativamente a capacidade dos terroristas a nível interno e a sua capacidade de organizar operações externas. Notam que ‘o envio de forças regionais para a província de Cabo Delgado continua a ter um impacto significativo sobre o grupo terrorista Ahlu Sunna Wal-Jama’a (ASWJ), perturbando a sua liderança, estruturas de comando e bases’.

Em 2021, por exemplo, o Estado Moçambicano recuperou áreas do território que haviam sido ocupadas pelo ASWJ (US State Department, 202116). O Conselho de Segurança das Nações Unidas indica ainda que o ASWJ tinha entre 180 e 220 combatentes adultos do sexo masculino experientes em batalha em Cabo Delgado e terão formado células de pequena e média dimensão, adaptando-se às condições actuais, apresentando, neste momento, poucas oportunidades de exploração e escasso acesso a recursos.

‘Os ataques consistentes ao longo dos últimos dois anos e a subsequente deslocação de aldeões, agricultores e civis, resultaram no quase colapso dos negócios informais nas cidades próximas e na cessação da produção significativa por parte dos pequenos agricultores, dos quais a ASWJ depende para obter provisões durante os seus ataques e saques’.

O ASWJ ou “ISIS-M – é o grupo militante responsável pela actividade terrorista no norte de Moçambique.

O ASWJ tem um sistema de comando soberano e local que responde principalmente às condições locais, com ligações com o empreendimento global do Estado Islâmico (ISIS). Enquanto a associação autoproclamada precisa de ser aprofundada, esta oferece benefícios mútuos, por um lado reforçando a expansão das redes intra-regionais do ISIS, por outro lado, aumentando a reputação e ampliando a rede de recrutamento e apoio do ISIS-M.

O estudo sobre Financiamento e Facilitação do ISIS na África Oriental e Austral, revela que a estrutura do ASWJ em Moçambique tem uma liderança religiosa no topo, na base-lideranças militares e religiosas de até cerca de 20 células e ligações com negociantes/ comerciantes locais.

Estes dados vem contidos no relatório sobre o risco de uso das organizações sem fins lucrativos no financiamento ao terrorismo e branqueamento de capitais esta semana lançado em Maputo.

 

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