No dia do velório realizado no atríolo do Município de Maputo, Filipe Jacinto Nyusi, o Presidente da República, acaba de publicar uma curta mensagem na sua página do facebook; sobre a morte sábado do músico Chico António. E foi nos seguintes termos e citando:
Chico!
Lutador assumido da nossa Pátria, nosso património cultural, siga seguro que a geração de amanhã que sonhaste promover, vai se vingar da tua viagem prematura.
Descanse em Paz Chico António. Fim da citação. Algumas correntes vem algum cinismo na mensagem presidencial “porque o Chico vez sozinho; nunca lhe viram como nada”. Outras vozes dizem que Filipe Nyusi apenas fez o que lhe coube, sobretudo do ponto de vista formal. ‘não se pode agradar aos gregos e troianos’, indica o vox popul.
Familiares, amigos, colegas, admiradores, curiosos, governantes políticos e das artes e letras abarrotaram o salão nobre do Conselho Municipal de Maputo com mensagens de admiração, reconhecimento, dor, luto e também de conforto a família enlutada. Chico era um verdadeiro artista, musicólogo.
Na sua morte algumas agências nacionais e internacionais têm estado a publicar artigos sobre a obra e feitos de Chico António incluindo o seu percurso como músico. Partilhamos a seguir algumas passagens do que foi já publicado sobre a passagem de Chico pela banda RM.
O Grupo RM foi indubitavelmente o mais importante para a sua projecção nacional e internacional. No grupo tutelado pela Rádio Moçambique, emissora nacional, Chico trabalha com alguns dos melhores músicos do país, com realce para Alexandre Langa, Sox, Alípio Cruz, Zé Mucavel, Zé Guimarães e Mingas. Era principal missão do grupo produzir música para as emissões de rádio.
Como integrante deste grupo, cria o tema “Baila Maria”, interpretado em dueto com Mingas. Em 1990, o tema conquista o grande prémio do concurso Descobertas, da Rádio França Internacional. No mesmo ano e na sequência do prémio, Chico vai a Paris aprofundar estudos em música.
“Na França, tive como tutor o grande saxofonista camaronês Manu Dibango. Tive aulas de técnicas de base de piano, arranjos musicais e gravação musical. Convivi com personalidades como Salif Keita ou Pierre Bianchi. Foram dois anos de formação intensiva e no final senti-me glorioso,” contou Chico. “O veterano saxofonista sempre aconselhou-me a concluir os estudos e regressar ao país para pesquisar e elevar os ritmos tradicionais de Moçambique.”
Como parte do prémio Descobertas, o Grupo RM teve o direito de gravar um disco. “Dei ao grupo o nome ‘Amoya’ e gravamos o disco ‘Cineta’, que foi lançado em 1991, em Paris,”disse Chico.
De regresso ao país, e seguindo o conselho de Manu Dibango, aposta na pesquisa de música tradicional e cria o Amoya, Studio and Art Gallery, e surgiram oportunidades de colaboração musical em produções audiovisuais e teatrais.
Em Fevereiro de 2013, Chico António junta-se ao Projecto Trânsito com Chude Mondlane, Edmundo Matsielane e Nico M’Sagarra. A ideia do grupo era contar musicalmente as diferentes experiências dos seus integrantes, usando expressões e instrumentos de diferentes origens; recolha camaramen.





