Rogério Zandamela Aponta Ganhos do Acordo Extrajudicial Entre Governo e Credores das Dívidas Ocultas

Antes de mencionar os aspectos que pretendo abordar na minha intervenção, permitam-me enaltecer a importância e os ganhos para o país decorrentes do acordo extrajudicial alcançado entre o Governo de Moçambique e os credores no âmbito do dossier das dívidas não declaradas

A anulação das dívidas contribui para melhorar a sustentabilidade dos indicadores macroeconómicos, com realce para o perfil da dívida comercial que consequentemente exercerá uma menor pressão sobre as Reservas Internacionais, para além de abrir espaço para a restauração da confiança dos investidores estrangeiros em relação ao país e o reforço da estabilidade do sector bancário nacional.

Solidez da Economia Nacional nos Últimos 10 Meses   

Falando na abertura do 48.º conselho consultivo do banco de Moçambique que decorre em Inhambane, Rogério Zandamela diz que nos primeiros 10 meses do ano de 2023, o primeiro marco principal nos desdobramentos económicos é a resiliência da actividade económica perante choques e vulnerabilidades e num ambiente global e doméstico caracterizado por elevados riscos e incertezas.

Com efeito, a actividade económica manteve a tendência de recuperação iniciada em 2021- após o choque da COVID-19, tendo o Produto Interno Bruto real registado uma expansão anual de 4,4 por cento no primeiro semestre do presente ano, maioritariamente, explicado, pelo crescimento da indústria extractiva.

Por seu turno, explicou o Governador do Banco de Moçambique, a inflação anual tem vindo a desacelerar desde o início do presente ano, tendo se fixado em 4,6 por cento em Setembro último, após ter atingido o pico de 12,9% em Agosto de 2022.

De acordo com Zandamela, esta trajectória de desaceleração reflecte, essencialmente, o efeito combinado da estabilidade cambial e da postura restritiva da política monetária bem como da queda dos preços dos alimentos e combustíveis no mercado internacional.

No entanto, a inflação subjacente, que capta a evolução de preços da categoria de bens e serviços que são afectados directamente pelas decisões de política monetária, aumentou nos últimos três meses. Apesar de não se situar em níveis alarmantes, estamos a acompanhar atentamente a sua evolução.

Nas transacções com o exterior, registámos uma melhoria do défice da conta corrente em 78,3 por cento, no primeiro semestre do presente ano, favorecido pela redução das importações dos grandes projectos.

Segundo o BM, o país apresenta um nível de reservas internacionais brutas suficientes para cobrir cerca de 4 meses de importações de bens e serviços, excluindo as importações dos grandes projectos.

O sector bancário nacional continua sólido e bem capitalizado, tendo o rácio de solvabilidade se fixado em 24,0 por cento em Setembro do corrente ano, correspondente a 12,0 pontos percentuais acima do mínimo regulamentar.

Contudo, o rácio de crédito em incumprimento continua em níveis relativamente elevados, tendo se situado em 9,1 por cento em Setembro de 2023, após 9,3 por cento em igual período do ano passado.

O desempenho macroeconómico e financeiro que acabei de descrever é encorajador e enaltece a resiliência da economia aos choques adversos e aos acentuados riscos, incertezas e vulnerabilidades que incidem sobre a economia global e doméstica.

 

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