As empresas EDM, Sasol e a Globeleq anunciaram esta quinta-feira em Maputo a conclusão de um acordo financeiro para injectar na Central Térmica de Temane (CTT) localizada no norte da província de Inhambane, com capacidade instalada de 450 MW.
O Projecto da central térmica de Temane corresponde a um investimento na ordem dos 700 milhões de dólares americanos. Os fundos são garantidos pelo IFC (braço financeiro do Banco Mundial de apoio ao sector privado), FMO, Emerging Africa Infraestruture Fund, US-International Development Finance Corporation (DFC) e o OPEC Fund for International Development.
Ao abrigo do fecho financeiro alcançado, o Banco Mundial vai prestar um seguro de risco parcial (PRG) e a Multilateral Investment Guarantee Agency (MIGA) dará cobertura de risco político aos investidores privados no empreendimento.
Localizado em Temane, província de Inhambane, a CTT vai gerar 450 MW de energia a partir de uma central a gás e que será fornecida à EDM por um período de 25 anos.
Espera-se que a central leve electricidade a 1,5 milhões de famílias e que contribua com 40% da demanda do País. Este projecto irá também contribuir para o aumento de exportação de energia para os países da região, melhorando a balança de pagamentos do país.
Por outro lado, as turbinas Siemens SGT-800 escolhidas para o empreendimento estão à altura de uma actualização para lidar com alto conteúdo de oxigênio, reduzindo substancialmente o impacto de carbono.
A CTT compreende igualmente uma linha de transmissao de alta voltagem de 563 quilómetros, o Projecto de Transmissão de Temane (TTP) e a primeira fase da interconexão da rede eléctrica da região sul às redes do centro e norte de Moçambique, correspondendo a um investimento na ordem dos 400 MUSD.
A ligação vai resultar num corredor de eléctricidade e assegurar uma rede mais estável e segura visando projectos de geração de energia renovável no futuro.
A TPP é detida na totalidade pela EDM e será financiada através de crédito concessional a ser concedido pelo Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Banco de Desenvolvimento Islâmico, OPEC Fund e o Governo da Noruega.
A cadeia de valor (desenvolvimento de gás, central de gás e linha de transmissão) vai atrair um investimento de dois biliões de dólares.
O director-geral da OPEC, Abdulhamid Alkhalifa, afirmou: “A OPEC apoia a central de Temane e a infra-estrutura de transmissão como contributo para o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 7 – Energia Acessível e Limpa.
Uma vez concluída, Temane irá aumentar a disponibilidade de energia eficiente e acessível, para as famílias, negócios e indústrias, contribuindo para o desenvolvimento social e económico de Moçambique e da região.
O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela disse que como país Moçambique está exposto aos piores riscos das mudanças climáticas, por isso “o nosso Governo apoia totalmente o Acordo de Paris porque e estamos empenhados no cumprimento do nosso plano de longo prazo de descarbonização em linha com esse acordo e a CTT está em total sintonia com o nosso compromisso de transição energética, que inclui o desenvolvimento de hidroeléctricas, centrais solares e eólicas”.
A CTT será construída pela empresa espanhola TSK, com recurso a tecnologia de turbinas de gás da Siemen num período de 34 meses previstos para a duração da empreitada.
A CTT vai gerar 830 empregos durante a fase de construção e 90 postos de trabalho permanentes para um período de 25 anos. Os empregos incluem trabalhos de engenharia e fora do local de construçao. A mão-de-obra moçambicana será priorizada no empreendimento, tanto durante a construção como ao longo da fase de operação.
Estima-se que o projecto vai ajudar na criação de 14.000 empregos indirectos durante a fase de operaçao, que arranca em 2024.
O Presidente do Conselho de Administração, PCA da Electricidade de Moçambiue, EDM, Marcelino Gildo, acredita que “uma nova fase está a começar no sector de energia, com a EDM a assumir a liderança no processo de geração de energia mais limpa visando a promoção da industrialização do país e exportação para o mercado regional”.
Por seu turno, Mike Scholey, CEO da Globeleq, indicou: “A Globeleq está comprometida com o apoio ao objectivo do Governo moçambicano de conseguir o acesso universal à electricidade em 2030 e a alteração da paisagem energética da região”.
Espera-se que a CTT comece a fornecer energia eléctrica em 2024.





