A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) – em representação dos enfermeiros, serventes, condutores de ambulâncias e trabalhadores da morgue – acusam dirigentes de algumas unidades hospitalares de estarem a intimidar os seus membros envolvidos na recente greve do sector.
Suspensa há aproximadamente três semanas em resultado das negociações em curso com o Governo e lideradas pelo Primeiro-ministro Adriano Maleiane para a resolução das inquietações levantadas pela classe.
De acordo com a porta-voz da APSUSM, Rosana Zunguze, apesar de a greve ser um direito constitucional, há directores e dirigentes de algumas unidades sanitárias que marcaram faltas aos profissionais durante a vigência da grave. Por conta das faltas em questão, os salários dos grevistas estão a ser descontados.
Para além do desconto salarial, outros dirigentes hospitalares, manifestando a arrogância e a intimidação, ameaçam transferir os grevistas para zonas recônditas sem que haja razão para tal.
Para a porta-voz da APSUSM, estas atitudes não constituem orientação do Ministério da Saúde (MISAU) senão vontade de alguns directores que, na intenção de bajular os seus superiores hierárquicos, acreditam que, ao sancionar os profissionais envolvidos na greve, serão promovidos.
Citada pelo Observatório Cidadão para Saúde, a porta-voz revelou ainda que os membros da APSUSM têm recebido notificações informais para que se façam ao posto policial de modo que prestem declarações sobre o seu envolvimento na greve, que consistiu na paralisação das actividades nos postos de saúde, em todo o país.
Governo promete rever salários a partir deste Setembro
Em relação aos progressos alcançados em torno das negociações, Zunguze afirmou que, no que diz respeito à justiça salarial, está em curso a simulação de possíveis salários, consoante a disponibilidade financeira do governo.
Apesar de a proposta não ser ideal, a APSUSM diz que acolhe-a tendo em conta que o seu objectivo não é fazer greve, senão alcançar consenso em relação às suas preocupações, um salário que dignifica o profissional de saúde.
“Na verdade, o nosso objectivo não é fazer greve. Acabamos criando, como forma de chamar a atenção do Governo, as mínimas condições para o nosso trabalho e atendimento aos nossos pacientes”, vincou.
Neste contexto, segundo a porta-voz da APSUSM, o Governo garantiu que, a partir deste mês em curso, haverá melhoria salarial.





