“O Mozambique LNG estabelecerá uma Fundação vocacionada para a implementação de um programa de desenvolvimento socioeconómico que abranja todo o território da província de Cabo Delgado, no âmbito de uma estratégia de desenvolvimento consistente e sustentável”, recomenda o relatório de direitos humanos de Jean-Christophe Rufin publicado hoje pela TotalEnergies. “Mozambique LNG” é a TotalEnergies e os seus parceiros da Área 1.
“Grandes territórios [de Cabo Delgado] são controlados para seu benefício pelos funcionários do regime”, declara Rufin. E, sem dizer explicitamente, ele deixa claro que esses funcionários devem ser mantidos à distância da nova fundação.
De acordo com o boletim Mozambique Reports & clippings editado por Joseph Hanlon na nova fundação haverá “um conselho fiscal composto por representantes do Mozambique LNG e personalidades da sociedade civil”, o que exclui claramente o governo e a Frelimo.
A fundação estaria sob um novo departamento de “Cooperação e Desenvolvimento” do Mozambique LNG. Coordenaria com quatro grupos, começando com agências da ONU, ONGs internacionais que operam na área, doadores e credores bilaterais e multilaterais, e apenas por último o governo local, provincial e nacional.
Devido à propagação da insurgência, em 26 de Abril de 2021, a TotalEnergies retirou todo o pessoal do projecto do local de Afungi e declarou força maior. Então as forças ruandesas criaram segurança na área do projecto de gás. Em Dezembro de 2022, Patrick Pouyanné, presidente da TotalEnergies, encomendou a Jean-Christophe Rufin uma missão independente para avaliar a situação humanitária na província de Cabo Delgado, o qual determinou que o projecto de gás poderia ser retomado, mas apesar disso as operações no terreno continuam suspensa devido aos ataques terroristas.





