Em diversos postos de recenseamento eleitoral, os nossos correspondentes continuam a reportar casos de atendimento prioritário a funcionários públicos, o que faz com que outros potenciais eleitores, que tenham chegado às filas de madrugada, permaneçam o dia inteiro sem conseguir registar-se. A acção dos brigadistas ignora a instrução do STAE central, emitida no sábado passado, que orienta as suas representações provinciais a “proibir a recepção e atendimento especial a listas de grupos organizados fora das filas dos postos de recenseamento eleitoral”.
Em Chimoio, província de Manica, no posto de recenseamento eleitoral do Estaleiro Bambú, os brigadistas continuam a dar prioridade aos funcionários públicos em detrimento dos restantes cidadãos que se encontram nas filas desde madrugada.
Em Alto Molócuè, a priorização dos funcionários do aparelho de Estado e conhecidos continua a dominar o recenseamento eleitoral em diversos postos, como por exemplo, na EPC Futuro Melhor. São funcionários oriundos de diversos sectores que passaram a ter prioridades no espaço de recenseamento, o que cria fúria aos cidadãos que se fazem às filas de recenseamento pela madrugada e acabam não conseguindo recensear-se.
No posto de recenseamento eleitoral da EPC Pista Velha, ainda em Alto Molócuè, verifica-se morosidade no atendimento devido à priorização aos funcionários públicos, a membros das células da Frelimo e a seus amigos. Até a tarde de hoje (quinta-feira) havia cidadãos que não se tinham conseguido recensear desde o dia em que arrancou o processo. Cansados, alguns cidadãos abandonam o local e recorrem a outros postos de recenseamento. Na Escola de Inhamidzua e no Instituto de Formação de Professores Primários, na cidade da Beira, os professores recebem prioridade para se recensearem.
Na Escola Primária Completa Gungunhana, cidade de Tete, cidadãos denunciam casos de corrupção e amiguismo no posto de recenseamento. No dizer dos entrevistados, os brigadistas do STAE e os fiscais dos partidos políticos; nas primeiras horas do dia, atendem a parentes seus ou a amigos, em detrimento daqueles que estiveram na fila desde a meia-noite. Afirmam que na sala onde decorre o recenseamento, por se tratar de secção pedagógica, há pessoas que fingem ser professores envergando uma bata, enquanto vão-se recensear. O supervisor desmente a existência de casos de corrupção. Em Monapo, Nampula, os professores foram orientados a recensearem-se nas escolas onde trabalham. Porém, no posto da Escola Primária de Napala, os fiscais do partido Renamo não aceitam que isto aconteça e, por conta disso, houve uma agitação e troca de palavras entre o supervisor do posto de recenseamento e fiscal da Renamo. E, há indícios de que no mesmo posto os brigadistas são subornados pelos potenciais eleitores com vista a facilitação no registo.





