Durante a sua intervenção, o Presidente do Conselho de Administração, PCA, da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, HCB, Boavida Muhambe, por ocasião da 21ª Reunião Executiva do JOTC destacou os ganhos económicos providos pelo rio Zambeze na região Austral de África SADC e a necessidade da sua conservação e valorização para as gerações futuras.
O rio Zambeze representa um dos maiores cursos de água doce da região, atravessando e beneficiando, directa e indirectamente, todos os países da SADC através dos seus ecossistemas e recursos que nos provêem, considera o PCA e acrecenta que que no Zambeze é possível testemunhar a realização de actividades socioeconómicas como a pesca do turismo e captação de água para as necessidades das populações ribeirinhas, como também para a irrigação de campos agrícolas e para o consumo humano.
Para Boavida Muhambe, a produção hidroenergética surge como uma das actividades dentre as demais e o conjunto destas actividades representa uma fonte de captação de renda para as comunidades, mas também de desenvolvimento social e económico dos países da região, pois a produção pesqueira e de hidroelectricidade, para além de beneficiar Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe, tem um papel fundamental nas economias da África do Sul, Essuatíni, Malawi, Botswana, Namíbia, só para citar alguns.
“É neste âmbito que, enquanto operadores de barragens e beneficiários mais directos e primários, surge a responsabilidade de realizar uma exploração sustentável e cuidada dos recursos hídricos colocados à nossa disposição, para que possam servir, não apenas para as presentes necessidades, mas também das gerações vindouras” aponta o PCA.
Na sua intervenção semana passada Boavida Muhambe acrescentou que é neste cenário e ciente dos desafios que se colocam à gestão de recursos hídricos e o seu impacto para a região que foi constituída a JOTC ou Joint Operations Technical Committee em inglês, um fórum que integra como membros, os Operadores das Barragens e Gestores dos Recursos Hídricos da Bacia do Zambeze localizados nas Repúblicas de Moçambique, da Zâmbia e do Zimbabwe, com o papel de gerir os recursos hídricos da bacia do Zambeze, de modo a optimizar o seu uso para fins hidroeléctricos; coordenar as descargas de modo a mitigar os efeitos de cheias e secas, evitando perda de vidas e bens; e contribuir para garantir a sustentabilidade ambiental da bacia do nosso grande Zambeze.
“Note-se que, mesmo antes da construção das grandes barragens na Bacia do rio Zambeze, como Cahora Bassa, Kariba e Kafue Gorge Upper, foi criado um comité que integrava as então Rodésias e Moçambique, com objectivo de estudar o uso sustentável e equitativo da água, tendo em vista as infra-estruturas projectadas” anotou o dirigente.
Por outro lado, Muhambe explica que depois da construção daquelas infra-estruturas, sentiu-se a necessidade de existência do JOTC, de forma a criar-se um fórum de diálogo entre as diferentes partes neste âmbito e garantir os princípios de uso equitativo e sustentável da água, sem prejuízo de qualquer parte envolvida, em cumprimento do protocolo da SADC sobre cursos de água partilhados.
Todavia, o PCA da HCB insta ao comité executivo e ao comité técnico para que faça esforço permanente para essencialmente garantir a partilha de informação de operação hidráulica das barragens; partilha de informação sobre projectos de construção de novas barragens em Moçambique, Zâmbia e no Zimbabwe; garantia do uso equitativo e sustentável dos recursos hídricos, sem prejuízo de qualquer parte interessada; e troca de experiência entre os três países nas diversas áreas do saber.





