O Banco de Moçambique acaba de publicar nas suas plataformas digitais o seu relatório anual referente ao exercício económico de 2021 incluindo as respectivas demonstrações financeiras.
O relatório é da firma de auditores BDO. A versão pdf publicada não leva a assinatura do Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela. Apenas vem assinada por Benedita Maria Guimino, Administradora do Pelouro de Serviços Financeiros e Recursos Humanos e também por Alexandre Fumo, Director do Departamento de Contabilidade e Orçamento, que não é sequer membro do Conselho de Administração do banco. O documento inclui uma foto da equipa dos membros do Conselho de Administração na capa.
Apesar dos seus esforços na estabilização macroeconómica e bancarização da economia incluindo a expansão do acesso aos serviços bancários e moeda electrónica pela maioria da população, os críticos de Rogério Zandamela denunciam com insistência o facto de o Banco de Moçambique não publicar regularmente os seus relatórios anuais de ‘avaliação de desempenho’ conforme previsto. Alguns sectores já parabenizam Rogério Zandamela pela ‘coragem’ na publicação do presente relatório.
Aparentemente com problemas de credibilidade, a sociedade de auditores independentes BDO, apresenta uma ‘opinião com reserva’ em relação a auditoria que fez ao Banco de Moçambique em 2021. A seguir transcrevemos a base para opinião com reserva da BDO:
‘Embora o artigo 14 da lei 01/92 de 03 de Janeiro defina que os saldos devedores das flutuações cambiais devem ser reconhecidos pelo estado moçambicano que emitirá tútulos de dívida pública a favor do banco, constatamos que o estado moçambicano não assumiu as suas responsabilidades desde 2005 no montante acumulado aproximado de 73 028 773 milhares de meticais, nem o banco reconheceu os proveitos acumulados associados a esta dívida do estado no montante aproximado de 13 708 900 milhares de meticais”.
“Constatamos que o banco de Moçambique registou apenas em 2021 as suas responsabilidades do exercício de 2020, resultantes da alteração dos pressupostos actuariais em conformidade com IAS 19 no montante de 10 709 192 milhares de meticais, afectando deste modo os saldos inicais do activo do fundo de pensões e do capital próprio no mesmo montante”.
“Em resultado da apreciação do metical e de modo a manter os resultados médios das transacções dos exercícios anteriores, em dólares e euros, o banco efectuou um ajustamento nos custos médios ponderados líquidos das reservas em moeda no montante de 20 154 116 milhares de meticais, por contra partida da rubrica de flutuações de valores. Deste modo as rubricas de flutuação de valores e a de resultado de operações de moeda estrangeira encontram-se sobreavaliadas num montante que não nos foi possível quantificar” – diz a firma de consultoria BDO





