Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental, Instituto Público (AQUA, IP), em coordenação com a Polícia de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente (PPRNMA), anunciou o desmantelamento, último sábado, 26 de Setembro de 2026, um dos maiores esquemas de tráfico de madeira do norte de Moçambique.
Na operação, que durou três dias, foram oficialmente apreendidas 9.117 pranchas de madeira nativa, correspondentes a 547,02 metros cúbicos, escondidas em sete quintais residenciais no Bairro de Zalala, na zona costeira da vila-sede de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado.
De acordo com a AQUA, que não apresenta nomes de presumíveis responsáveis pelo desfalque, esta é a maior apreensão feita este ano em Cabo Delgado cuja madeira apreendida inclui espécies nativas classificadas como preciosas de 1ª classe pela legislação moçambicana, sobretudo a Umbila, Chanfuta, Jambire e Mondzo, espécies cuja exploração sem licença especial está proibida legalmente. As espécies são de alto valor transaccional no mercado internacional, sobretudo na China e Vietname.
A investigação da agência governamental revela um modus operandi já conhecido, mas para este caso com contornos considerados mais sofisticados e que consistem no abate ilegal nas matas do interior dos distritos de Mocímboa, Nangade e Palma, consideradas áreas de concessão comunitária.
Os dados governamentais indicam que o transporte do produto do roubo é feito no período nocturno em tractores até à vila, onde é posteriormente serrada em pranchas rudimentares e armazenada de forma dissimulada em quintais de casas de pescadores na praia de Zalala, longe dos postos de controlo da estrada principal. Mas não há referência de casos de pessoas detidas ou suspeitas.
No entanto e de acordo com AQUA, a exportação ilegal decorre por via marítima, em barcaças artesanais que fazem a travessia de 60 km até Mtwara, na Tanzânia, para fugir à fiscalização do Porto de Pemba e do Posto Fronteiriço de Negomano.
“As autoridades suspeitam que o produto aguardava pelo carregamento em barcaças com destino à vizinha República Unida da Tanzânia”, confirma o comunicado da AQUA.
Outros dados sobre o saque da madeira em Moçambique indicam que o distrito de Mocímboa da Praia, epicentro dos ataques terroristas, tornou-se nos últimos 18 meses num corredor preferencial do tráfico de madeira preciosa, alegadamente por ausência de fiscalização marítima permanente incluindo alegada cumplicidade de algumas comunidades costeiras na facilitação do esquema. A madeira apreendida nesta operação foi removida e encontra-se sob custódia do Governo do Distrito de Mocímboa da Praia.
Apesar de não haver suspeitos a AQUA diz que já abriu um processo de contra-ordenação e processo-crime, que vai ser remetido ao Ministério Público a nível distrital. Relatórios internacionais apontam o envolvimento de figuras ligadas ao partido Frelimo, no negócio ilegal de madeira preciosa, enquanto milhares de crianças estudam sentadas no chão por falta de carteiras.





