Luís Canhemba Apresenta Obra Literária Sobre Dívida Pública em Maputo

O BCI acolheu, na quarta-feira, 16 de Setembro, no seu Auditório, em Maputo, o lançamento da obra “Na Sombra do Poder – O Peso da Dívida Pública no Futuro de Moçambique”, do académico e gestor Luís Canhemba, uma investigação sobre os desafios do endividamento público interno e as suas implicações para o desenvolvimento económico do País.

A obra analisa a evolução da dívida pública interna, recorrendo a ferramentas econométricas para compreender as relações entre o endividamento do Estado, o crédito ao sector privado, as taxas de juro e o crescimento económico.

Na ocasião, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do BCI, Carlos Agostinho do Rosário, destacou a importância de promover espaços de conhecimento e debate sobre matérias estruturantes para o desenvolvimento. “Estamos aqui não apenas para lançarmos um livro sobre um tema tão importante para a vida do País, que tem a ver com a dívida pública, mas também […] para falarmos de escolhas que nos possam conduzir a soluções do presente e soluções para o futuro”, afirmou.

Num ano em que o BCI celebra os seus 30 anos, o PCA realçou o papel do conhecimento na construção do desenvolvimento. “O desenvolvimento faz-se também com o conhecimento, faz-se também com confiança, com instituições e faz-se sobretudo com pessoas capazes de pensar o futuro”, sublinhou.

Prefaciador da obra, o economista Tomás Matola destacou que a dívida pública não é, por si só, um problema, podendo constituir um instrumento de política económica para financiar investimentos estruturantes, responder a crises e promover o desenvolvimento. Alertou, contudo, para os riscos de um crescimento acelerado e persistente do endividamento sem o correspondente aumento da capacidade de geração de receitas e de crescimento económico.

Matola chamou igualmente a atenção para o impacto do endividamento público no financiamento da economia, defendendo a importância de um sector privado capaz de “investir, produzir, inovar, criar empregos e gerar riqueza”.

Já Luís Canhemba explicou que a investigação procurou ir além da descrição dos números, analisando as relações entre a dívida pública interna, o crédito ao sector privado, as taxas de juro e o crescimento económico, e procurando compreender as suas implicações para o desenvolvimento do País.

Entre as conclusões, o autor apontou uma relação entre o serviço da dívida pública interna e o crédito ao sector privado, defendendo o crescimento económico como parte da resposta. “Precisamos de crescer. Precisamos de produzir mais, exportar mais, investir mais e aumentar a capacidade produtiva da nossa economia”, afirmou.

Canhemba deixou uma mensagem de responsabilidade e esperança: “Este livro não pretende ser uma sentença e nem é uma sentença. É um diagnóstico”. E acrescentou: “Se a dívida é uma sombra, acredito que conhecer esta sombra é também o primeiro passo para encontrar a luz”.

Ao acolher a iniciativa, o BCI reforça a sua aposta na promoção do conhecimento, da produção intelectual e do debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento e para a construção do futuro de Moçambique com confiança.

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