O partido Anamola reagiu a decisão do Ministério Publico sobre a marcação do julgamento de Venâncio Mondlane para ainda este ano.
Na sua live nacional esta quinta-feira, 27 de Agosto, o secretário-geral do partido, Messias Uarreno foi contundente na sua mensagem e prometeu uma resposta taco-a-taco, porque para o partido Anamola o julgamento de Venâncio Mondlane é político e não tem nada a ver com o judicial.
Falando na diáspora, e com uma mensagem carregada de violência nas entrelinhas, o secretário Uarreno anunciou que o julgamento será o sinal de avanço para a tomada do poder em 2028/2029, mas insistiu que o seu partido é pelo diálogo e respeita o estado de direito democrático instituído em Moçambique. “Se este julgamento avançar vamos usar a mensagem de comunicação que vocês compreendem. Se não aceitarem os canais democráticos vamos falar aquela outra língua. No dia do julgamento preparem-se porque o sinal está dado. Avançaremos para a vitória das urnas 2028 e 2029. Consequência haverá se a nossa comunicação não ser ouvida”.
Estamos preparados e vamos activar a terceira via porque não vamos recuar
Ainda na sua live de reacção pública do seu partido à decisão das autoridades de levar Venâncio ao julgamento no Tribunal Supremo, Messias Uarreno explicou que os canais da terceira via existem e serão aplicados porque não há mais espaços para o recuso; “estamos preparados para uma resposta taco-a-taco; não somos belicistas como muitos dizem. Acham que a nossa geração não tem capacidade de rescrever a história? Hoje venho confirmar que nós vamos dar respostas a altura. Não vai ser uma coisa secreta. No século XXI as coisas não se fazem debaixo da mesa. O nosso desejo é que este julgamento não aconteça”, vincou Uarreno, que promete voltar para Moçambique de onde vai gerir este movimento de resposta partidária.
“Não acredito, não apoio, não concordo com este julgamento. Não houve julgamento na guerra dos 16 anos. Hoje querem levar o presidente Venâncio para julgamento. Irmãos, nós vamos reinventar a roda. Este julgamento não é jurídico, é político. Não estou com medo; eu venho para Moçambique para participar cara-a-cara neste julgamento que não faz sentido. Ao tirar Venâncio Mondlane do cenário político estão a escrever na água” desafiou o secretário-geral do Anamola.
Refira-se que o Ministério Público acusa Venâncio Mondlane de cometer cinco crimes, entre eles a apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública ao crime, instigação ao terrorismo e ainda incitamento ao terrorismo.
O processo deriva da violência pública que se seguiu as sétimas eleições gerais e multipartidárias de Outubro de 2024 em que o Conselho Constitucional declarou Daniel Francisco Chapo e o seu partido a Frelimo vencedores do sufrágio e Venâncio Mondlane colocado como o segundo candidato presidencial mais votado. A decisão gerou uma onda de violência que paralisou Moçambique cerca de três meses com resultados catastróficos na economia incluindo centenas de mortes.




