Cerca de 23% de Mulheres Jovens Morrem Vítimas de Aborto Inseguro em Moçambique

A Ipas Moçambique realizou no passado dia 21 de Agosto corrente em Maputo, uma sessão de Divulgação dos Resultados do projecto “Criando uma Dinâmica Duradoura para a Igualdade de Género e Direitos Humanos em Moçambique através da Melhoria do Acesso e Respeito pela Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos, incluindo o Aborto Seguro”.

O evento, que contou a com a presença de parceiros de implementação, doadores e representantes de instituições do governo foi orientado pela Directora do Ipas em Moambique Alice Mukamana Nangura e tinha como marco o encerramento de uma década de implementação do projecto, desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde e outros actores nacionais e provinciais.

Falando a jornalistas, a Directora Alice Nangura apontou sucessos alcançados pelo projecto durante os dez anos em que foi implementado incluindo impactos directos no grupo alvo nas três províncias em que a iniciativa foi levada a cabo.

Ipas Moçambique é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, a operar em Moçambique desde 2018, com sede em Maputo e escritórios provinciais em Nampula, Zambézia e Niassa, onde desenvolve em parceria com o Ministério da Saúde actividades de promoção, melhoria e prestação dos serviços de Saúde Sexual e Reprodutiva, Serviços Compreensivos de Aborto Seguro, Contracepção e Violência Baseada no Género (VBG).

Nangura explicou que a concretização do projecto contou com o financiamento do governo da Suécia num investimento na ordem de 20 milhões de dólares tendo em vista criar7 condições para a oferta de serviços de saúde sexual e reprodutiva de qualidade, melhorando as infraestruturas dos serviços, disponibilizando equipamentos e capacitando os provedores e outros intervenientes de saúde na oferta de serviços.

Ainda Mahumane, do Ministério da Saúde apontou avanços registados no sector da saúde reprodutiva como resultados das acções desenvolvidas pelo projecto. O Ministério da Saúde revelou que dados de inquéritos realizados entre 2022 e 2023, no âmbito do projecto do Ipas indicam que pelo menos 23% de jovens mulheres moçambicanas morrem devido a complicações relacionadas ao aborto inseguro. Porem, devido ao trabalho realizado pelo Ipas a realidade mudou, na medida em que nas comunidades abrangidas pelo projecto muitas mulheres tomaram consciência sobre os riscos da pratica do aborto clandestino passado a optar por métodos e práticas seguras recomendadas incluindo o conhecimento sobre a legislação.

Ao longo das duas fases de implementação, entre 2016 e 2026, o projecto contribuiu para fortalecer o acesso a serviços de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos (SDSR), aborto seguro, contracepção e resposta à Violência Baseada no Género (VBG), bem como para a integração da SDSR na resposta humanitária, a transformação das normas sociais e de género e o fortalecimento do movimento nacional de SDSR.

Durante o workshop foram apresentados os principais resultados, impactos, boas práticas e lições aprendidas ao longo da implementação do projecto, incluindo reflexões sobre a sustentabilidade dos ganhos alcançados e os próximos passos para a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos em Moçambique.

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