O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, participou dia 22 de Julho em Maputo, no painel II do BFSI – Banking, Financial Services and Insurance Mozambique 2026, onde abordou a temática da “Transformação Digital Sustentável: Infraestruturas Críticas, Recursos Naturais e Governação de Dados”.
Durante o painel, Américo Muchanga destacou três aspectos fundamentais para o avanço da economia digital, tendo começado por citar a conectividade, frisando que sem a mesma não há economia digital. Ressaltou ainda que a infraestrutura é essencial e que a conectividade deve alcançar todas as regiões, incluindo as zonas rurais, para que as pessoas não precisem sair de suas comunidades para cessar a internet.
O segundo ponto abordado foi o Centro de Dados para serviços financeiros, segundo o qual, “não há banca digital sem os mesmos”. Destacando que para disponibilizar serviços financeiros acessíveis onde as pessoas estão, é imperativo investir em centros de dados robustos que suportem esses serviços. No terceiro ponto, o Ministro destacou a necessidade de redes seguras para o governo digital, tendo enfatizado que não há governo digital sem as mesmas, pois a segurança na utilização dos serviços digitais é vital para a confiança dos cidadãos, sendo condição para a sua adopção plena.
Na sua intervenção, o Ministro abordou ainda, a questão da inteligência artificial (IA), destacando que, sem capacidade computacional adequada, sua implementação e benefícios podem ser comprometidos. Apesar do avanço em centros de dados, computadores e telemóveis, a infraestrutura actual ainda carece de capacidade para suportar modelos de IA mais avançados. Para Muchanga, as infraestruturas digitais são tão estratégicas quanto estradas, portos ou barragens e devem ser prioridade de investimento contínuo, incluindo redes de fibra óptica e satélites de órbita baixa, que oferecem maior capacidade a custos reduzidos.
Muchanga reforçou que a segurança digital é hoje uma componente essencial da segurança nacional, especialmente diante de conflitos que se desenrolam no espaço cibernético. Destacou que o Governo de Moçambique aprovou uma série de reformas, incluindo a Lei de Segurança Cibernética, a Lei de Crimes Cibernéticos, e regulamentos sobre centros de rádio e computação em nuvem. A implementação dessas normas é obrigatória para empresas operando infraestruturas críticas, visando proteger bens, dados dos utilizadores e garantir a continuidade dos serviços essenciais.
Segundo o Ministro Muchanga, esses instrumentos regulatórios criarão um ambiente digital mais seguro, confiável e atractivo para investimentos. “Moçambique, conhecido pelos seus recursos naturais, precisa agora transformá-los em desenvolvimento sustentável por meio de tecnologias como IA, sensores inteligentes e plataformas digitais, que optimizam a gestão de recursos, aumentam a transparência e combatem actividades ilícitas”, disse.
Debruçando-se sobre a governação de dados, Muchanga frisou que os dados devem ser considerados activos estratégicos, pois quem souber governar seus dados terá maior capacidade de inovação, atracção de investimentos e desenvolvimento de novos serviços. Para isso, é fundamental proteger os dados, utilizá-los eticamente e garantir a confiança entre o Estado, sector privado e sociedade.
Por fim, o Ministro destacou a importância de alianças entre o governo, sector privado, universidades, reguladores e parceiros internacionais, pois investir na capacitação das pessoas é imprescindível, fortalecendo competências digitais, promovendo inovação, pesquisa científica e empregos tecnológicos garantirão que os benefícios da economia digital alcancem jovens, mulheres e comunidades vulneráveis, incluindo as regiões mais remotas do país.
O evento hoje iniciado e que tem a duração de dois dias, conta com a participação do Governo, sectores financeiros, academicos, organizações não governamentais, representantes das empresas do sector das tecnologias e transformação digital e startups.





