A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) torna público o seu posicionamento relativamente a dois desenvolvimentos recentes de elevado impacto para a economia nacional: o pagamento de cerca de USD 700 milhões da dívida pública ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a divulgação de indicadores internacionais que colocam Moçambique entre os países com maiores níveis de pobreza no mundo.
O sector privado reconhece e valoriza o cumprimento das obrigações financeiras junto do Fundo Monetário Internacional, por constituir um sinal relevante de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do país. Este passo contribui para consolidar a confiança dos parceiros externos e criar condições para o aprofundamento da cooperação económica e financeira.
Não obstante, importa sublinhar que a estabilidade macroeconómica deve ser acompanhada por medidas internas consistentes que promovam um crescimento inclusivo e sustentável. O desafio que se coloca é garantir que este esforço seja complementado por políticas que estimulem a produção nacional,
o investimento privado e a competitividade da economia. Neste contexto, destaca-se igualmente a necessidade de o Governo conferir atenção às avultadas dívidas internas, sinalizando a sua progressiva liquidação, como forma de dinamizar a economia doméstica. Os dados recentemente divulgados sobre a pobreza exigem uma reflexão séria e construtiva. Estima-se que mais de 60% da população moçambicana viva abaixo da linha da pobreza, com maior incidência nas zonas rurais, onde persistem limitações significativas no acesso a serviços básicos, emprego formal e oportunidades económicas.
Paralelamente, os indicadores de desenvolvimento humano continuam a evidenciar a necessidade de acelerar progressos nas áreas de rendimento, educação e saúde. Este contexto reforça a importância de aprofundar as reformas em curso, com enfoque na dinamização da economia real e na criação de oportunidades sustentáveis para os cidadãos. O sector privado entende que este é um momento oportuno para consolidar uma agenda de crescimento assente na confiança, na previsibilidade e na cooperação entre os diferentes actores económicos. Neste sentido, a CTA encoraja a continuidade dos esforços visando: O reforço do ambiente de negócios, com maior estabilidade e previsibilidade regulatória; A facilitação do acesso ao financiamento e às divisas para o sector produtivo; A implementação de políticas fiscais equilibradas que estimulem o investimento; A promoção da produção nacional e das exportações; O investimento em infra-estruturas e no capital humano; O fortalecimento do diálogo público-privado como pilar da formulação de políticas eficazes.
Moçambique dispõe de um potencial económico significativo, cuja materialização depende da capacidade colectiva de alinhar políticas, mobilizar investimentos e fortalecer o papel do sector privado como motor do crescimento e da criação de emprego. A CTA reafirma a sua total disponibilidade para continuar a trabalhar em estreita colaboração com o Governo e demais parceiros, nacionais e internacionais, na identificação e implementação de soluções que promovam um desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.





