O governo do Ruanda ameaça retirar as suas cerca de 2000 mil tropas que desde 2021 estão baseadas na província de cabo Delgado no apoio a Moçambique nos esforços de resposta ao combate ao terrorismo no norte de Moçambique.
Uma porta-voz do governo ruandês ameaçou durante o fim-de-semana que se os problemas financeiros no teatro operacional norte mantiveram-se até o mês de Maio que vem o Ruanda retirar os seus homens no terreno.
A decisão ruandesa foi anunciada numa altura em que o Presidente de Moçambique visita a sede da união Europeia em Bruxelas. Os europeus e americanos são os principais financiadores da resposta ao terrorismo em Moçambique. Ruanda ameaça retirar as suas tropas de Cabo Delgado se não houver novo financiamento da UE a partir de Maio.
Durante a visita de Daniel Chapo a sede da EU esta semana, a Comissão Europeia anunciou um pacote de ajuda humanitária de 36 milhões de euros para a África Austral e a região do Oceano Índico. Vinte milhões de euros serão destinados ao apoio a comunidades em Moçambique, afectadas pelo conflito em Cabo Delgado e pelas recentes inundações, através de assistência alimentar, cuidados de saúde, protecção, acesso a água potável e educação para crianças.
Os restantes 16 milhões de euros serão canalizados para responder a necessidades humanitárias urgentes e reforçar a preparação para catástrofes em Angola, Madagáscar, Malawi, Zâmbia e Zimbabwe.
O Governo de Moçambique ainda não confirmou-se vai usar o financiamento europeu para continuar a sustentar a presença ruandesa no teatro operacional norte. No país a opinião pública diverge quanto aos impactos da saída das tropas ruandesas. Alguns sectores consideram um alívio nos cofres e na dependência estrangeira enquanto outros desenham um cenário de possível agravamento da situação humanitária no norte.





