A ameaça terrorista continua a semear pânico no norte de Moçambique. Fontes locais reportam movimentações suspeitas de homens armados vindos de Memba, província de Nampula, com indícios de que poderão entrar para o posto administrativo de Mazeze, distrito de Chiúre, em Cabo Delgado, nas margens do rio Lúrio — que serve como linha natural e divisória entre as províncias de Nampula e Cabo Delgado em Moçambique, demarcando os limites territoriais entre Memba e Chiúre.
As movimentações têm levantado sérias preocupações entre as comunidades locais e as autoridades administrativas, que vêem nestes sinais um risco iminente de alastramento da violência para novos territórios antes considerados seguros.
Esta terça-feira, 18 de Novembro de 2025, uma fonte governamental baseada em Mazeze relatou à nossa reportagem que os insurgentes aparentam estar a reorganizar-se a partir do lado de Memba e que a travessia para Cabo Delgado pode acontecer a qualquer momento.
“O nosso lado não está bem. Agitação não falta, por causa destes malfeitores que andam por aí. Eles já atravessaram para aquelas zonas de Memba, agora estão nas margens do rio, com tendência de atravessar para este nosso lado”, declarou a fonte, num tom que expressava preocupação, medo e incerteza sobre o futuro.
O receio de uma nova frente de combate é real, especialmente num momento em que os distritos de Macomia, Muidumbe, Metuge e Quissanga continuam a sofrer “ataques esporádicos” como aliás confirmou o Chefe de Estado, Daniel Francisco Chapo, esta semana. A tendência sobre o recrudescimento dos ataques regista-se também numa altura em que em Maputo aceleram-se de marches tendo em vista a retoma do magnífico projecto de exploração de gás pela totalenergies naquela província do norte de Moçambique. Aliás, agências internacionais de notícias referem que, a Totalenergies tem estado a financiar o terrorismo em Cabo Delgado.
Enquanto isso, a situação no terreno continua a evoluir e a população mantém-se em alerta máximo, num ambiente marcado pelo medo, insegurança e exposição a morte.
O terrorismo em Cabo Delgado tem-se intensificado desde 2017, resultando em milhares de mortos, deslocados e graves danos socioeconómicos. Grupos insurgentes ligados ao extremismo islâmico têm realizado ataques frequentes contra civis, infraestruturas e forças de segurança, provocando uma crise humanitária na região. Até 2025, mais de 800 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, e o governo, junto com parceiros internacionais, tem lutado para conter a ameaça, que já se espalhou para distritos vizinhos e até para províncias próximas, como Nampula e algumas áreas de Niassa, principalmente as que conectam com Cabo Delgado.
O Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, deslocou-se esta terça-feira, 18 de Novembro, ao posto administrativo de Alua, no distrito de Erati, levando uma mensagem de esperança e diversos produtos alimentares às famílias que fugiram dos recentes actos de terrorismo no distrito de Memba.





