Venâncio Mondlane, segundo candidato presidencial mais votado nas sétimas eleições presidenciais e legislativas em Moçambique fez uma mensagem de saudação ao povo moçambicano por ocasião dos 50 anos da independência nacional que hoje, 25 de Junho de 2025 se assinala;
“Irmãs e irmãos Moçambicanos. Anamalala!”
“Hoje, 25 de Junho, Moçambique assinala 50 anos desde a proclamação da independência nacional; uma data que deveria em bom rigor ser de celebração, mas que, na verdade, exige reflexão profunda.”
“Apesar da histórica proclamação em 1975, meio século depois, o país continua refém de uma nova forma de colonização “o neocolonialismo”. A liberdade conquistada com sangue e sacrifício foi rapidamente usurpada por uma elite que perpetua um regime de terror financeiro, político e social contra os próprios irmãos da mesma raça.”
“Os que ontem lutaram contra o colono tornaram-se hoje piores colonizadores insensíveis ao sofrimento do povo, intolerantes à crítica, e cada vez mais autoritários. A intolerância política alastra-se como um câncer: vozes divergentes são silenciadas, opositores perseguido até mesmo abatidos, e a liberdade de expressão reprimida em nome da estabilidade do regime.”
“Por ordens superiores, fecharam-se dezenas de indústrias estratégicas como a Mabor e mais de três outras dúzias de fábricas que poderiam hoje estar a gerar milhares de empregos e posicionar Moçambique como uma referência mundial. Em contrapartida, abriram-se fábricas de bebidas alcoólicas espirituosas, simbolizando assim uma autêntica falta de políticas económicos eficazes substituídas por um projecto de alienação partidária e empobrecimento social.”
“Moçambique, volvidos cinco décadas, regrediu a um ponto alarmante: hospitais públicos usam papelão em substituição do gesso porque há escassez em unidades sanitárias; escolas são improvisadas sob árvores; professores, médicos e servidores públicos imploram pelo próprio salário e subsídio.”:
“Que independência é essa se até as decisões soberanas dependem da autorização ou financiamento do Ocidente?”
“Será essa uma independência material ou apenas um conceito escrito em algum papel, para alimentar uma ilusão colectiva?”
“Como falar de independência num país onde o poder político interfere descaradamente no poder judicial e legislativo, anulando qualquer esperança de equilíbrio democrático e justiça verdadeira?”
“Hoje, mais do que nunca, é necessário repensar o significado de independência. Não basta a ausência do colono estrangeiro, é preciso erradicar o colonizador interno, restaurar a dignidade, a justiça e o verdadeiro poder do povo.”





