Pelo menos 700,000 meticais são gastos por hora, alegadamente, no aluguer do avião de luxo que a Presidência da República aplica no frete do voo para levar o presidente moçambicano Daniel Chapo ás suas deslocação ao exterior incluindo a mais recente deslocação de visita ao Malawi.
Com efeito, circulam com insistência informações de que o Presidente da República, Daniel Chapo, desembarcou na última quinta-feira em Blantyre, capital do Malawi, a bordo de um jacto de luxo — um Bombardier Global Express, alugado à empresa TAG Aviation Limited por cerca de 11 mil dólares norte-americanos, o equivalente a 700 mil Meticais por hora.
Nenhuma entidade do governo já reagiu a estas informações, mas o Presidente nos seus discursos tem sido incisivo no combate ao despesismo no aparelho do Estado.
Por outro lado, dados divulgados pela IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos) revelam que em Abril do ano em curso Moçambique passou a ser o país que retém o maior valor de receitas das transportadoras aéreas a nível mundial.
A situação poderá forçar transportadoras aéreas como a Ethiopian, QATAR, TAP Air Portugal, Air Link e SAA a reduzir ou a pôr fim a voos para Moçambique. Inevitavelmente, esta situação irá provocar um aumento dos preços de passagens.
Os voos oficiais da Presidência da República de Moçambique e do Partido Frelimo poderão não estar ameaçados dada a prática de fretamento de aeronaves junto de empresas estrangeiras, como foi o caso da recente visita da delegação moçambicana à República Popular de Angola.
Presentemente, o governo Moçambique retém cerca de 13,1 mil milhões de meticais (205 milhões de dólares americanos) a que as transportadoras áreas internacionais têm direito. O valor representa um aumento de 61% em comparação com os cerca de 8,1 mil milhões de meticais (127 milhões de dólares) registados em Outubro de 2024.
Este aumento acentuado coloca Moçambique no topo da lista dos países com maior volume de retenção na fonte de receitas de transportadoras aéreas, ultrapassando regiões tradicionalmente críticas como a zona do franco CFA (XAF), que inclui os Camarões, Chade, Gabão, Guiné Equatorial, República Centro-Africana e República do Congo, onde estão retidos cerca de 12,2 mil milhões de meticais (191 milhões de dólares).
De acordo com a IATA, esta situação constitui um sério obstáculo às operações das transportadoras aéreas, uma vez que estas necessitam de aceder às suas receitas para cobrir custos operacionais como combustível, manutenção e aluguer de aeronaves – a maior parte dos quais são facturados em moeda estrangeira.





