Gestores de Programas de assistência às comunidades no país defendem a necessidade de busca por alternativas internas de financiamento, face ao corte de fundos americanos.
Eunice Mucache, chefe de Unidade de Meio Ambiente, Gestão de Recursos Naturais, Mudanças Climáticas e Resiliência no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, entende ser o momento de se apostar na diversificação das fontes de financiamento, com enfoque nas parcerias internas.
“Uma das formas de não cairmos é redescobrir-nos. Sabermos como diversificar as fontes de financiamento, só isso pode ser o lado positivo de algo que veio com carris negativo , que é fazer com que internamente pensemos fora da caixa (..) para ir buscar outras formas de financiar o que Moçambique e outros países vinham financiando apenas com dependência de doadores do pacífico”, refere Eunice Mucache
Para Mucache, nesta nova fase o contributo do sector privado será importante visando fortalecer as estratégias de assistência sustentável às comunidades.
“o futuro há-de depender de nós como país (…) uma das formas que vemos de ultrapassar a questão do impacto dos fundos americanos, é exatamente olhar para alternativas internas, não continuando dependentes dos nossos doadores regulares, mas vendo no país qual é o potencial que temos de usar recursos que venham de outros sectores. Refiro-me ao sector privado, por exemplo, mas pode ser também parceiros de cooperação, diferentes dos fundos americanos ou de outros que têm reduzido”, remata Eunice Mucache.
Liveshood [meio de subsistência, em português] é um programa desenvolvido pelo PNUD, que visa apoiar pessoas das comunidades afectadas pelos ciclones, a recuperarem os meios de subsistência que praticavam antes destas calamidades naturais.
Concebido para vigorar de 2019 até ao mês de Dezembro deste ano de 2025, o programa formou até ao momento 1144 pessoas nas províncias de Sofala, Cabo Delgado e Zambézia. As áreas abrangidas são agricultura, pecuária, pequenos negócios, entre outros.
O especialista do programa Liveshood do PNUD, Mogas Canhe, destacou que as metas, nesta primeira fase do programa, foram alcançadas.
Apesar do interesse e continuar, a implementação da segunda fase do programa Liveshood, está dependente da possibilidade de financiamento por parte dos doadores.
Segundo a fonte, o corte de financiamento americano vai impactar a curto prazo a actividades que o PNUD promove, no âmbito dos esforços de alívio da pobreza nas comunidades.
“o nosso dinheiro sempre vem de doadores, como o Banco Mundial, União Europeia e outros países. E agora com estes cortes dos EUA (..) o dinheiro americano trabalha muito na sede, em termos de administração, portanto, vai afectar até recursos humanos (…) a curto prazo vamos ter problemas porque estamos dependentes dum doador que é tradicional que é os EUA, mas também ouvimos dizer que na Holanda entrou um novo governo. Existem outros doadores que podemos abraçar “, afirma.
E acrescenta: “se agente fazer um bom trabalho, e mostrar o trabalho, muitos doadores podem abraçar a causa. Temos a União Europeia, também vai cortar, mas não todo como os americanos”, conclui Mogas Canhe, que falava, em Maputo, a margem do workshop em formato designado “Pensamento em Sistema”, organizado pelo PNUD.
O representante residente deste órgão da ONU em Moçambique, Edo Stork, entende que este tipo de metodologia de trabalho pode ajudar o país a acelerar o alcance dos resultados de desenvolvimento.
“O PNUD quer ser um impulsionador desta forma de trabalho. É uma maneira ágil de trabalhar requer uma abertura de todos nós para aprender e tentar novas maneiras de trabalhar (…) uma das coisas que começa através desta metodologia de trabalho é de definir o desafio. Um desafio que definimos é de diversificação económica em Moçambique, outro desafio é o tema de emprego rápido para jovens, e o tema de resiliência ou manutenção de infraestruturas públicas, a qual não está acontecer como devia estar neste momento”, considera Edo Stork.





