Apesar de a lepra ter sido declarada eliminada em 2008 – menos de um caso de lepra em cada dez mil habitantes – anualmente, novos casos são notificados em Moçambique, o que mostra que a doença ainda está activa e continua a criar danos irreversíveis a muitos Moçambicanos.
Em Moçambique, mais de 40 distritos registam uma prevalência de mais de 1 caso com deformidade de grau 2 por cada 10.000 habitantes, bem como percentagens assustadoras de novos casos em crianças.
De acordo com o Ministério da Saúde, casos de lepra em crianças são um dos indicadores de circulação do bacilo M. leprae, que resulta em altos níveis de transmissão da lepra. O aumento de casos de deformidades de grau 2 é também indicador de atraso na detecção e tratamento da lepra e, o nosso país, já está em 2,5% de deformidade dos casos detectados em 2020.
Numa análise comparativa com o ano transacto, dados do Ministério da Saúde indicam que até ao fim de 2019, Moçambique contava com 49 Distritos endémicos em lepra, os quais registaram um total de 2,218 casos de lepra, uma redução em 153.
Esta redução pode dever-se, entre outros factores, à redução das actividades de detecção, produção e envio de relatórios devido à pandemia da COVID-19. O aumento da busca activa de casos de 2021 indica que o número de casos detectados pode vir a duplicar, o que vai exigir maior engajamento em termos de tratamento e seguimento de complicações.
Estas informações foram partilhadas por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Lepra que se assinala a 30 de Janeiro associadas às comemorações do Dia Mundial da Luta contra as Doenças Tropicais Negligenciadas (31 de Janeiro), sob o lema “ com o compromisso de todos, podemos combater as doenças tropicais negligenciadas”.
Entidades como a Federação Internacional das Organizações Contra a Lepra, recomendam o Governo a locar mais fundos para o Programa Nacional de Controlo da Lepra de forma a assegurar a cobertura nacional de buscas activas de casos de lepra e manter o compromisso de que a lepra não deve ser relegada para o segundo plano apesar da nova doença (COVID-19) ter aparecido.





