Um Morto no Dia Que Venâncio Mondlane Escolheu Para Celebrar os “Verdadeiros Heróis”

Pelo menos uma pessoa morreu na manhã desta terça-feira, 18 de Março, em Maputo, quando baleada por agentes da Polícia da República de Moçambique, afectos a Unidade de Intervenção Rápida, UIR.

O facto foi registado na zona conhecida por ‘Casa Branca’, que faz a ligação entre as cidades de Maputo e Matola, e a vítima encontrou a morte durante uma sessão de tiroteio policial contra populares que saíram a rua hoje em obediência a ordem de Venâncio Mondlane para celebrar os ‘verdadeiros’ heróis nacionais.

Aliás, devido ao chamamento público para a desobediência a ordem estabelecida, o candidato presidencial, declarado vencido pelo Conselho Constitucional, mas que não aceita o veredicto, as cidades de Maputo e Matola estiveram praticamente paralisadas com as escolas, o comércio e o transporte praticamente interrompido; uma parte da sociedade aderiu as manifestações, outra ficou em casa por medo da violência e uma minoria decidiu arriscar e saiu a rua.

Através das suas páginas nas redes sociais, Venâncio Mondlane ‘mandou parar tudo’ este dia 18 de Março alegadamente para “celebrar o dia dos verdadeiros heróis nacionais”, numa afronta ao status quo estabelecido pelo regime da Frelimo, que celebra os seus heróis a 3 de Fevereiro. A partir de Maputo, e encorajado pelos seus apoiantes, Venâncio Mondlane tem estado a agir como a segunda ordem estabelecida de facto, do estado, o que esvazia o curso da governação de Daniel Chapo, cujo pólo sobre o poder e comando do país está divido (Chapo/Venâncio).

Governando, de direito, Daniel Chapo tem estado a optar por uma estratégia de ignorar Venâncio Mondlane, pelo menos nesta fase de diálogo com as várias esferas da sociedade, tendo em conta os impactos das ordens de Venâncio.

Desde Outubro de 2024 Moçambique está a viver momentos violentamente conturbados, caracterizados por manifestações populares, impondo a desordem e a desobediência. Não há qualquer sinal de aproximação de posições entre o governo e o segundo mais votado candidato presidencial nas sétimas eleições gerais e multipartidárias de Moçambique.

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