Bento Baloi Lança a Chave de Areia Para Despertar os Factos que Levaram ao Acidente de Mbuzine

O jornalista e escritor moçambicano, Bento Baloi, lança esta quinta-feira 27 de Fevereiro na cidade de Maputo, o seu mais recente romance intitulado “Chave de Areia” .

No livro “Chave de Areia”, publicado sob chancela da Índico Editores, o autor ficciona a história do seu país, Moçambique, fazendo alusão a alguns momentos que palmilham a história, tal é o caso dos factos que levaram ao fatídico acidente aéreo que tirou a vida de Samora Machel em Mbuzini. Apesar de ser uma obra ficcional, o autor adverte que há também grandes partículas de verdade decorrentes de factos históricos e pessoas reais.

Para Bento Baloi, muitos moçambicanos não sabem o que existe sobre os factos inerentes à queda do Tupolov-134 em que seguia o primeiro Presidente da República, Samora Machel, quando regressava da Zâmbia. Também por isso, o escritor entregou-se à pesquisa, de modo a compreender factos essenciais à ficção. “A parte mais difícil foi reconstituir os factos que levaram à queda do avião. Esse foi o trabalho intenso de pesquisa, de leitura e de conversas com pessoas”.

Sinopse:

Uma investigadora do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais é surpreendida por uma tentativa de linchamento popular no bairro suburbano de Maputo, onde vive.

Dambu, o filho de Márcia, a investigadora, descobre uma fotografia onde desfilam importantes figuras da política moçambicana, sul-africana e seu pai, exibida por um colega da Universidade Witswatersrand.

Dambu move-se para seguir uma Chave de Areia, um relato de uma investigação que cobre duas tragédias: em primeiro plano a de Mbuzine, com a morte do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel; e, em segundo plano, os contornos de um perigoso e ardente triângulo amoroso no Prédio Alentejano, em plena avenida Eduardo Mondlane, em Maputo.

É por estes pontos, e não só, que se constrói uma narrativa mergulha no mundo de aviões, alicerçada numa pesquisa profunda com consultas a várias fontes em Moçambique e no estrangeiro, revelando-se uma pista essencial para que Dambu conheça as suas verdadeiras origens, enquanto pessoa e cidadão moçambicano.

«Porcaria de merda! Não há Maputo!»

« O quê?», questionou o co-piloto.

«Não há Maputo. Não há energia eléctrica, pessoal!»

Márcia cumpre assim o desígnio de partilhar a experiência dos seus longos anos de pesquisa, relatando uma história que a liga a outros investigadores do Centro de Estudos Africanos que na véspera da viagem presidência à Zâmbia foram chamados ao gabinete de Samora Machel, na Julius Nyerere, para receber uma missão especial e secreta da voz do próprio Marechal.

«Não há para onde ir. Não há nada!»

«Isto está nublado! Nublado! Nublado! Não há Maputo!», palavras do comandante do Tupolev presidencial segundos antes de Mbuzine.

Bento Baloi nasceu em 1968 no Ka-Vieira, bairro de Maxaquene, cidade de Maputo. Dedicou parte significativa da sua carreira ao teatro escrevendo, dirigindo e interpretando papéis em peças, tanto de palco como de rádio.

Estreou-se no género romance, em 2016, com o livro Recados da Alma publicado em Moçambique e me Portugal. A sua obra No Verso da Cicatriz conquistou a primeira edição do Prémio Literário Mia Couto, para melhor romance moçambicano publicado entre os anos 2021 e 2022. É igualmente autor do livro de crónicas Arca de Não É editado pela Índico Editores e traduzido para a língua inglesa.

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