Com uma reacção penal anticorrupção incipiente, Moçambique não descola para melhor no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional, de acordo com a última estatística revelada esta semana em Berlim.
Depois de, em 2020, ter conseguido 25 pontos, em 2021, Moçambique subiu apenas um lugar no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), tendo somado 26 pontos, numa escala de 0 à 100, em que 0 significa que o país é “altamente corrupto” e 100, “muito íntegro”.
De acordo com um comunicado do Centro de Integridade Pública, CIP, a subida de 1 ponto no “score” não revela grandes mudanças nas percepções sobre a corrupção na medida em que no país, praticamente não aconteceu nada relevante em 2021, apenas o início do julgamento das chamadas “dívidas ocultas”. Ou seja, Moçambique está praticamente “estacionado”, abaixo dos 30 pontos (em 2015), ocupando o lugar 147 no ranking, onde o mais corrupto do mundo ocupa o lugar 180.
O ano de 2015 foi o da revelação do calote das “dívidas ocultas” e desde lá até cá as fontes das percepções radicalizaram sua imagem negativa sobre os pais. E o “score” baixara para 25 pontos em 2020. Na verdade, desde a revelação do calote nada de substancial aconteceu para reverter a imagem de uma gestão pública capturada por uma elite avarenta.
O julgamento do caso das “dívidas ocultas” ainda não teve o seu desfecho. E o braço de ferro da Procuradoria Geral da República para trazer o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, de volta para Maputo, em vez de ser extraditado para os EUA, mostrou uma intenção de “obstrução” e não de facilitação da Justiça.
As notas são atribuídas a partir de relatórios (o do Banco Mundial, por exemplo) que indicam “percepções do sector privado e de especialistas acerca do nível de corrupção no sector público”. Valores abaixo de 50 indicam “níveis graves de corrupção”. A percepção de corrupção aumenta ou diminui, por exemplo, se a imprensa é livre e publica tudo o que vê a respeito das más práticas no país.
Ranking Mundial Dinamarca e Nova Zelândia continuam encabeçando a lista. Finlândia e Noruega completam o top 4: subiram, respectivamente, duas e 3 posições de 2020 para 2021. Já os países com as piores colocações são Venezuela (14), Somália e Síria (13) e Sudão do Sul (11).





