Exames do Ensino Secundário Decorrem Sob Boicote da Classe dos Professores

Os exames dos alunos do ensino secundário geral que esta segunda-feira tiveram o seu inicio em Moçambique estão a decorrer sob boicote de grande parte de professores que anunciaram uma paralisação laboral de protesto aos sistemáticos atrasos no pagamento de subsídios de horas extraordinárias.

Em Maputo, pelo menos dez escolas registaram atrasos no inicio dos exames enquanto em outras 4 os professores não se fazem presentes as salas para o controlo dos educando e correcções.

O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano ainda na reagiu ao boicote imposto pelos professores, mas a Organização Nacional dos Professores, ONP, conotada ao partido no poder, distancia-se da greve.

Os membros da Associação dos Professores Unidos-APU, reivindica o pagamento das horas extras atrasadas dos anos 2022,2023 e as do corrente ano de 2024.

Entre os meses de Janeiro e Novembro os docentes já realizaram passeatas de protestos duas pela ANAPRO e uma pela APU em que os profissionais exigem o pagamento das horas extras conforme estabelecido por lei, o que acontece é a evolução das promessas não cumpridas por parte do governo.

Apesar das garantias dadas em Novembro corrente que as horas extras em atraso seriam pagas após os salários, os professores constatam que os pagamentos têm sido realizados de forma fragmentada, sem garantias de conclusão para todos os professores afectados.

Diante de um cenário, a Associação dos Professores Unidos-APU decidiu pela paralisação no controle e correcção de exames para os Professores e propõe o adiamento dos Exames nacionais para uma data segura.

O ensino secundário em Moçambique conta actualmente com cerca de 160 mil professores e para o presente ano lectivo, o executivo moçambicano previa contratar 2.803 professores para o ensino secundário e primário

A qualidade da Educação em Moçambique depende de vários factores internos e externos ao Sistema. Um dos factores críticos está relacionado ao desempenho dos professores e de todos os profissionais da educação. Esta continua a ser a área onde os progressos têm sido mais limitados e enfrenta grandes desafios, pois apesar de 99% dos professores possuírem formação psico pedagógica, apenas cerca de 40% dos professores da educação básica possui um diploma de bacharel e verifica-se maior número de docentes que lecciona nas Instituições de ensino superior sem o nível de pós-graduação.

Em Moçambique, o acesso limitado aos livros e outros materiais didácticos constitui um grande desafio, facto que tem impactado nos níveis de aprendizagem. Os índices de aprendizagem no Ensino Primário são preocupantes. O resultado de duas avaliações nacionais da aprendizagem na 3ª classe, revelam um decréscimo entre 2013 e 2016, com a percentagem de crianças com competências de literacia a reduzir de 6.3% para 4.9%

No nível básico estima-se que o número médio de anos que uma criança leva para concluir a educação primária é de cerca de dobro do que seria esperado. Na educação superior, a taxa média de graduados está abaixo de 30%.

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